Objetivos do "Evolução LGBT"

Desejo que a Profunda Paz e o Amor Universal estejam no coração de todos os que chegaram a este local, seja quais forem suas intenções.

Embora o foco do blog seja o universo LGBT e o rosacrucianismo e a espiritualidade, todos são bem vindos a ele, mesmo aqueles que não possuem ligação com estes temas, pois as reflexões aqui expostas apresentam um caráter universal.

Seu objetivo é apenas divulgar idéias e sugerir mudanças nas mentalidades. O blog não tem como meta impor verdades ou interpretações supostamente mais válidas a quem quer que seja. Todas as críticas construtivas e imbuidas de boa vontade de construirmos juntos um pensamento são bem vindas.

Seu autor tem formação superior em humanas e se dedica ao estudo do misticismo e da espiritualidade de maneira geral. Os conteúdos do blog podem ser divulgados. Peço apenas que dêem os devidos créditos ao site.
Fiquem à vontade para seguir o blog e deixar seus comentários, pois eles são muito importantes.

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by Revolucionário



segunda-feira, 19 de março de 2012

Preconceito x Discriminação - O que é pior?


Muito da militância se construí com base no combate ao preconceito. Esta luta é válida, porém muito pouco é dito acerca da diferença entre preconceito e discriminação. Embora sejam tidas como sinônimas, os dois termos não são iguais.

Pré-conceito é uma conceituação prévia de algo ou alguém com base num pensamento torto ou generalista sobre esse objeto. É quando se diz “todo negro é bandido”, “todo homossexual é promíscuo”, “todo muçulmano é terrorista”. Já a discriminação é algo bem diferente. Trata-se de pôr as pessoas à parte de algum local, grupo ou situação.

 

É certo que a maioria da discriminação provém de uma mentalidade preconceituosa, mas nem toda discriminação provém de um preconceito. Muitas discriminações advém de conceitos! Quando um religioso diz que a homossexualidade é um pecado e que gays são possuídos pelo demônio, não se trata de um preconceito, mas de conceitos religiosos.

 

Naturalmente, nem todos os conceitos são verdadeiros do ponto de vista da realidade, mas ainda assim são conceitos.

Ultimamente tenho notado que o discurso antipreconceito tem servido de escudo moral para homofóbicos (ainda que não declarados) continuarem a manter suas práticas discriminatórias. As pessoas dizem “não tenho preconceitos; tenho vários amigos gays”; “não tenho nada contra”! Algumas falam isso como se estivessem fazendo um favor ao “tolerar” nossa presença!

 

Apesar destes discursos “politicamente correto”, é só catucar um pouco que a pessoa começa a dizer que é contra adoção de crianças por casais homoafetivos, que é contra o casamento homoafetivo, que é contra beijo gay na televisão, que acha um absurdo casais homo na frente de crianças etc. Na família, há parentes que até amam você, mas são incapazes de convidar a ti e a seu companheiro para irem numa festa de casamento de família. Ou seja o não preconceito não significa ausência de discriminação. Um exemplo é o ator Marcelo Serrado, que não tem nada contra gays, desde que eles não possam se beijar na novela das 8 para que sua filha não veja aquilo.

 

A meu ver é preciso que fiquemos atentos com esse discurso de “não tenho preconceitos”. Embora ele tenha algum valor, não é o ponto final; não é aonde queremos chegar.

No nível institucional muitas igrejas tem absorvido essa ideia de “Amamos todas as pessoas (mas os gays não podem se casar). Também cito a Ordem Rosacruz AMORC. Ela tem um discurso humanista, de aceitar todos os seres humanos como membros desde que desejem receber seus ensinamentos. Não obstante, nega sistematicamente que casais homoafetivos possam participar dos rituais de casamento da mesma forma que os heterossexuais. E também se nega a criar qualquer tipo de ritual específico para estes casos...

 

Ambos argumentam que não se trata de preconceito, mas de conceitos teológicos ou símbólicos – o de que o casamento é apenas entre o homem e a mulher heterossexuais.
Estes são um exemplo de que a ausência de preconceitos não significa necessariamente  o fim da discriminação. Para tal é preciso mudar os CONCEITOS, não propriamente os PRECONCEITOS.

 

É preciso que nós – LGBTs – fiquemos atentos para não embarcar nessa e achar que tá ótimo. Quando ouvimos alguém dizer que não tem preconceitos geralmente baixamos a guarda e nos damos por agradecido por aquela pessoa “tolerar a nossa existência”. Mas nosso horizonte deve ser a inserção social plena. E isso passa necessariamente pela luta contra práticas e ideias discriminatórias.

Amor e Paz

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Um olhar crítico e LGBT sobre a conversão religiosa

Uma das coisas que sempre achei mais odiosa nas religiões foi o proselitismo religioso. Isso se dá não só pelo caráter agressivo de muitas dessas práticas como também pela petulância de querer mudar as concepções interiores do outro. E pior: geralmente os “evangelizadores” estão fortemente imbuídos da certeza de possuírem a verdade e que portanto devem apresenta-la a outros povos. Já diz a citação bíblica: Ide e anunciai a boa nova a todos os povos.


Tal sentimento é de uma arrogância ímpar. Mas infelizmente, tenho que concordar que o proselitismo gera frutos – seja na forma de fiéis ou seja na forma de milhões em arrecadação.

                Dizem que o Cristianismo e o Islamismo são as duas maiores religiões do planeta. Não é de surpreender isso. Também são as duas que mais investem num proselitismo agressivo.


                O islamismo espalhou-se pelo planeta sob a força da espada. Além da imposição por meio da violência, os povos da Arábia pré-islâmica que não eram muçulmanos pagavam mais impostos que os muçulmanos. Obviamente que aquelas pessoas tiveram que optar entre manter sua fé e levar uma vida financeira mais tranquila. Não é de se admirar que o islamismo tenha conquistado diversas regiões. Na Indonésia os muçulmanos mataram milhares de travestis na ilha de Sulawesi pois estas representavam crenças pagãs.


                Por parte do Cristianismo – este então nem se fala. Na Europa pré-cristã, a evangelização dos povos muitas vezes foi à força. A Igreja convertia reis e estes por sua vez forçava a conversão dos povos sob seu domínio.


                No Neocolonialismo do XIX, os europeus destruíam templos tribais na África, impediam pais de registrarem filhos com nomes nativos, forçando-os a adotarem nomes cristãos. Ainda hoje evangélicos queimam templos indígenas na Amazônia.


                A escalada evangelizadora corre solta na India. Eles se aproveitam dos dalits – excluídos – para converterem-nos usando de retóricas como “os brahmanes não te amam, mas Jesus te ama!”. O neocolonislismo varreu do mapa culturas milenares, substituindo-se pela histeria da evangelização cristã. Caso bem significativo é a belíssima cultura dos yorubás da Nigéria – hoje substituída pelo radicalismo islâmico e neopentecostal.


                É desnecessário dizer que boa parte desse proselitismo é feita com base na retórica, aproveitando-se da ignorância das pessoas. Lembro-me da primeira vez que perguntei a um evangélico: “Se Deus pode tudo, por que ele não mata o Demônio ao invés de deixar os humanos lutando eternamente com criatura tão vil?” – ele parou, pensou e se fez uma série de perguntas.


                Este tipo de questionamento é básico para toda pessoa pensante. Mas parece que muitos religiosos não conseguem fazê-lo – ou por medo de questionarem as estruturas do prédio onde moram ou por preguiça mental ou por pura incapacidade mesmo.

                Frequentemente é dito que religiões antigas como a grega, a egípcia, a suméria etc eram erradas pois acabaram e ninguém mais acredita nelas... E se hoje o islamismo e o cristianismo são mais seguidos do que essas religiões antigas, é porque as duas religiões monoteístas estão mais próximas da Verdade...


                É MUITO difícil escapar desse raciocínio retórico. Não obstante, não podemos afirmar com certeza que o Cristianismo e o islamismo substituíram religiões antigas porque são melhores. Se assim o fosse, não haveria tanta gente buscando resgatar antigas religiões.


                O que aconteceu de fato é que o proselitismo é responsável pela destruição de toda uma cultura – de seus sacerdotes, de sua credibilidade perante um povo etc. Isto posto, no espaço de uma geração, os descedentes já não encontram rituais e locais para reproduzirem suas antigas crenças. Associa-se isso a uma crise econômica dos povos dominados e um dominador que, além de deter os meios de produção, ainda traz a crença num Deus que te ama, que vai te arranjar emprego, há uma situação social de forte sensibilidade a esse discurso salvacionista oferecido pelos povos sofridos.


                Assim está sendo a evangelização da África, onde muitos negros abandonam suas religiões nativas e vão para Igrejas evangélicas, pois é lá que estão empresários e os americanos e, portanto, o dinheiro.. Aliás, este processo é, inclusive, encontrado no Brasil, onde as igrejas dinamizam as micro-economias. O curso de formação de pastores é uma ótima solução para jovens que por pusilanimidade abandonaram as escolas e agora estão desempregados.


Assim foi a evangelização dos índios norte-americanos, onde suas crenças chegaram a serem proibidas por lei. Sob essas duras condições é muito fácil uma cultura se perder. Assim, não podemos afirmar que a substituição de uma religião pela outra é um simples movimento em direção a algo melhor. A conversão está ligada a processos históricos e sociais bastante complexos.


Foi o proselitismo religioso que levou a homofobia para lugares onde isso sequer era uma questão. Dos países que criminalizam a homossexualidade atualmente, a maior parte é resultado da influência britânica.


Cabe ressaltar que religiões como a Wicca, Budismo, Judaísmo, Xamanismo e até mesmo o rosacrucianismo não são proselitistas. Eles podem até fazer a apresentação de sua filosofia para o público para ter mais membros, mas isso não significa que se esforçam para convencer as pessoas de que elas estão erradas e devem adotar a VERDADE.


Converter o outro é egoico. O pastor-safado que arrebata fiéis é energizado com o indisfarçável  sentimento da vaidade de conseguir convencer os outros de que ele próprio está certo. O proselitismo é egocêntrico, vaidoso, arrogante, prepotente e petulante.


Por mais que ele se disfarce de boas intenções para “fazer o bem”, sabemos que de boas intenções o inferno está cheio. Uma igreja ou mesquita cheias são sempre motivo de vaidade para um pastor ou imã islâmico. Converter os outros é uma fonte infinita de recursos.


Considero o proselitismo religioso uma forma de abuso, além de contribuir para a destruição de culturas inteiras em nome de uma verdade e de um Deus únicos, onde os evangelizadores acreditam serem os legítimos portadores.

Após conseguir arrebanhar fiéis, as religiões criam instrumentos sofisticados para não perdê-los. No Cristianismo queimou-se pessoas. Nas igrejas evangélicas, quando uma pessoa deixa a igreja, ela passa a ser malvista. O islamismo tem o crime de apostasia (renúncia da fé) punido com morte. Sob essas condições, é fácil manter os fiéis. Ousar pode ser um crime caro demais a se pagar.


Uma verdadeira religião deixa que os fiéis venham até ela. É um movimento de dentro para fora (Proselitismo é diferente da propaganda de uma instituição). Os rosacruzes, por exemplo, sugerem que os membros arrebanhem novos membros pelo exemplo cotidiano de comportamento espiritualista – uma forma de propaganda pessoal.


A Igreja Universal em minha rua põe um carro aos berros mostrando os “milagres” da Universal, forçando a rua inteira a escutar. Isso é mais que desrespeito. Isso é a necessidade de abafar todo e qualquer tipo de vozes contrárias. Talvez seja por isso que os pastores evangélicos berrem tanto.


A retórica usada para converter os outros é uma verdadeira ciência aprendida no curso de pastores da Igreja Universal. Para este tema seria necessário um outro texto. Não obstante, é possível dizer que a necessidade de converter os outros dá aos evangelizadores uma sensação de pertencimento e um objetivo de vida. A ideia de pertencer a uma coletividade que é proprietária de uma verdade que os outros não têm e que é preciso apresentar essa Verdade aos outros “povos”,  é um dos primeiros passos para a lavagem cerebral.


Na África, igrejas evangélicas distribuem panfletos com os seguintes dizeres: “Se seus pais forem pagãos, você deve romper a relação com eles”. (Informação tirada da revista Nossa História). Assim é muito fácil acabar com uma cultura.

Seja como for, é importante resistir a este processo. Mas COMO? Utilizando-se de outros conceitos, outros paradigmas que não os judaico-cristãos. As categorias conceituais que trabalhamos não são naturais.


Quando digo que sou um ser dual, ao invés de LGBT, estou oferecendo minha resistência a um processo que começou há 500 anos com a chegada dos europeus na América. Estou usando categorias das tribos indígenas dos EUA. Por que eu tenho que usar as categorias dualistas da cultura judaico-cristã? NÃO VOU ABAIXAR A CABEÇA PARA AQUELES QUE QUEREM DOMINAR A MINHA ALMA. Resistência cultural também é uma forma de militância!


Cada um deverá arranjar seu próprio jeito.

Amor e Paz.




OBS: Não nego a possibilidade de que em alguns casos a conversão pode sim representar a substituição de uma crença ruim por uma crença superior. A crença asteca, por exemplo, implicava no sacrifício de muitas vidas para aplacar os deuses iracundos. É inegável que a figura católica de Maria com seu amor infinito talvez tenha tido um apelo religioso muito mais profundo do que deuses sedentos por sangue. Nesse sentido, me dou o benefício da dúvida.