Objetivos do "Evolução LGBT"

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by Revolucionário



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A vida após a morte e homofobia

Estes são dois temas que aparentemente não tem nada a ver um com o outro. Afinal, o que tem a ver a alma dos mortes com a discriminação contra LGBTs?





Apesar da aparente ausência de ligação, um tema está intrinsecamente ligado ao outro. Isso porque a homofobia provém diretamente da religião e esta alega ter o monopólio não só sobre Deus, mas também sobre o destino das almas após a morte.




É com a certeza de que os pecadores vão para o inferno que as igrejas destilam suas retóricas contra a homossexualidade. Assim, a criação de um conjunto de idéias sobre o pós-mortem permite que os líderes religiosos criem sistemas morais ao seu bel prazer e manipulem a opinião pública, alegando ter certeza do que vai acontecer com os outros.




Ora, se pararmos para analisar BEM, ninguém sabe ao certo o que acontece após a morte (embora haja certos exercícios místicos com permitam compreender o "outro lado"). Nem podemos afirmar com certeza que nossa consciência sobrevive num “plano superior”. Neste campo, trata-se de uma questão de fé e de um campo extremamente especulativo.


Mas sendo assim, como os líderes religiosos conseguem convencer as massas de que seus dogmas estão corretos? A meu ver, há duas razões para isso. A primeira delas é que as massas são preguiçosas demais para pensar por si próprias. Quando chega alguém com uma resposta pronta, isso encurta o caminho de ter que refletir.



A segunda razão é o medo universal da morte que todos mais ou menos temos. Quando alguém lhes oferece perspectiva de algo positivo que acontece “depois”, as pessoas se agarram naquilo.




Há inúmeras concepções sobre a vida após a morte. A mais conhecida é a cristã, onde as almas vão para o inferno ou para o céu. Esta concepção é estranha, pois sendo o Deus cristão o criador de tudo e bondoso, como ele pode ter criado um local de tanto sofrimento e dor como o inferno? E a pessoa estaria condenada por toda a eternidade? As almas vão fica ros próximos 5 quatrilhões de anos no inferno? E elas pedissem perdão, serão que o Deus bondoso as perdoaria? Se não, então Deus é um safado maligno, rancoroso incapaz de perdoar ninguém.



A concepção cristã da vida após a morte faz com que a vida na Terra seja uma bomba relógio. Os humanos são criados por Deus e a cada segundo caminham para o céu ou o inferno. A verdadeira vida passa a ser o que vem depois, e não o aqui e o agora. É com pesar que vejo crianças evangélicas de 11 anos cuja principal obrigação e medo é de não ir para o inferno. Elas deveriam estar brincando, vivendo a vida e experimentando em toda sua potencialidade.  No caso dos ateus, iriam para o nada absoluto.



Algumas linhas esotéricas orientais dizem que o que acontece após a morte é que a Alma vai para o lugar que acreditou em vida. Assim, quem acredita em reencarnação, irá reencarnar. Quem acreditou em céu e inferno, irá para o seu lugar. Quem acredita que terá 72 virgens, assim será. Nesse sentido, o homem exerce seu livre-arbítrio in totum.




Essa concepção, embora possa conter algo de verdadeiro, deixa LGBTs em maus lençóis. Imaginem que um menino gay de 15 anos se suicida por causa da homofobia. Foi criado em uma família cristã num país homofóbico onde as únicas perspectivas de vida era a mais completa marginalização. Então ele irá fatalmente para o inferno por causa de coisas que fizeram a ele e que ele não tem a menor culpa?


Então essa coisa de “após a morte nossa consciência vai para o lugar que criamos em vida”, embora ressoe em algum lugar de meu ser, falta uma lógica e se mostra extremamente cruel. Ao analisarmos as possibilidades de morte no mundo, essa ideia não se encaixa.


Embora muitos argumentem que a ideia de vida após a morte em nada se relacione com a homofobia, parece-me bastante óbvio que uma coisa está interligada a outra. São as idéias que fazemos sobre pecado, deus, céu, inferno, demônio etc que fomentam ideologias homofóbicas.


Por mais contraditório que pareça, o modo como encaramos a morte – social e coletivamente – é que condiciona fortemente nossa maneira de viver. Muitas das idéias sobre a morte são criadas para instilar nas pessoas o desejo de fazer o bem – carma, inferno, metempsicose etc.



Finalmente, uma vez que a vida dos LGBTs ao redor do mundo está fatalmente condenada por ideologias deletérias sobre a vida pós-mortem, que tipo de respostas nós LGBTs podemos dar para essa questão?


Quando me perguntam o que eu acredito que acontece quando morremos, acho que a resposta mais sábia é: UM MISTÉRIO. O sublime, o incognoscível à nossa consciência “humana”. Essa opção é bem menos apetitosa que 72 virgens, paraísos celestiais e encontros com divindades. No entanto, acho que essa é a resposta mais sensata.



A morte nos nivela a todos. Não há quem possa escapar dela. A morte é democrática. Embora eu não tenha a pretensão de ter uma resposta fechada para isso, quando penso na morte, me vem a cabeça algo como:


- Mistério

- Paz

- Colhemos o que plantamos

- União



Assim, quando alguém me confronta com imagem de um Demônio terrível querendo comer o rabo de muitos LGBTs (o que eu não acho que seria de todo mal! Rs), eu digo simplesmente:



- Mal sabemos se existe de fato a Alma, e você ainda tem a pretensão de saber o destino da minha? Cuide da sua Alma e deixe que eu me entendo com Deus. De qualquer forma, obrigado pela preocupação.



Isso já calou muita gente.


Amor e Paz

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