Objetivos do "Evolução LGBT"

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Seu objetivo é apenas divulgar idéias e sugerir mudanças nas mentalidades. O blog não tem como meta impor verdades ou interpretações supostamente mais válidas a quem quer que seja. Todas as críticas construtivas e imbuidas de boa vontade de construirmos juntos um pensamento são bem vindas.

Seu autor tem formação superior em humanas e se dedica ao estudo do misticismo e da espiritualidade de maneira geral. Os conteúdos do blog podem ser divulgados. Peço apenas que dêem os devidos créditos ao site.
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by Revolucionário



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

LGBTs enxergam o mundo de maneira diferente?

              Quando eu era adolescente, sempre me impressionou o fato de eu não ter ídolos da maneira como outros jovens tinham. Meus amigos tinham um ídolo de futebol predileto e as amigas, adoravam certas atrizes. Para mim, isso sempre foi muito indiferente. Até gostava de bandas, filmes, mas nunca idolatrava ninguém. Nunca tive um pôster de determinado ator no meu quarto.

 


                Pensava que essa característica de falta de identificação com ídolos tinha a ver com minha personalidade fechada. Até que ponto isso tem a ver com a homofobia, eu não sei. Mas até então isso era extremamente natural pra mim.

                Um dia, já adulto, descobri que o personagem Colossus dos X-Men era gay. E desde desse dia tomei um carinho especial por ele. Era a primeira vez que eu via um super-herói igual a mim. Nesse dia pude entender o fascínio que heróis como Super-Homem ou Hulk exercem sobre os meninos que reproduzem os padrões de força, virilidade e masculinidade aceitos pela nossa sociedade.


 A vida foi seguindo e a pomada Nebacetin lançou aquele comercial onde aparece um casal gay. Por incrível que pareça, tomei uma enorme simpatia por aquele produto e tive vontade de comprar a pomada só pelo fato de ter me visto sendo representado.


                Foi então que percebi que havia um mundo ao meu redor que até então eu parecia não notar. Outdoors com mulheres femininas e homens masculinos vendendo uma infinidade de produtos para homens e mulheres heterossexuais. Essas campanhas publicitárias exercem um forte poder de atração. O único problema é que boa parte delas nunca tinham ME ATRAIDO.


                Aquelas imagens que mostram apartamentos sendo comprados por famílias heterossexuais e seu casal de filhos sempre estiveram ao meu redor, mas até então nunca tinham tido um poder sobre mim. Era apenas papel a meu ver.


                Foi aí que percebi como o mundo é heteronormativo (não estou reclamando, apenas constatando). Só pude perceber como os ídolos que a mídia produz e os sonhos que a publicidade vendem têm um enorme poder de sedução sobre os heterossexuais, quando a mídia, a publicidade e outros meios de comunicação passaram a produzir os “heróis” ligados ao universo LGBT. Foi aí que experimentei um sentimento que nunca tinha tido -  IDENTIFICAÇÃO.


                Por heróis, entendo tanto personagens infantis como também produtos, personagens em seriados e novelas etc. Fui entender o poder da representação, a ideia de “querer ser igual” àquele personagem de novela.


Ser a “mocinha” da novela que casará com bonitão é o sonho de um sem-número de meninas. LGBTs sonham nesses produtos culturais de maneira marginal, sempre fazendo as devidas adaptações.

                Depois de um tempo é que compreendi o poder que alguns filmes românticos exercem sobre heterossexuais. Neles, há a veiculação de um ideal que os casais procuram se espelhar e se realizar. Fui entender isso apenas quando vi Brockeback Mountain e pude “ME VER” ali na telinha. Aquilo exerceu um sentimento de identificação poderoso, um sentimento que até então eu ignorava.

 

                Assim, vendo um mundo que na literatura, em todos os programas de televisão, nos jornais, nas artes – basicamente todo ele é heteronormativo e heterocentrado, muitas vezes os LGBTs não são “capturáveis” por certos ídolos que não exercem ou exercem muito pouco de poder atrativo sobre eles.


                Agora entendo porque revistas de fofocas atraem tanto meninas adolescentes heterossexuais. Aquele conteúdo é feito para elas. Casamentos heterossexuais no final de novela, nunca nem me fizeram chorar... Não obstante, muitos heterossexuais se debulham em lágrimas...


                Assim, às vezes acho que os LGBTs enxergam esse mundo capitalista de fetiches de maneira diferente. Será que um panfleto que mostra um homem e uma mulher com seus filhos comprando um apartamento exerce o mesmo poder atrativo em LGBTs e em heterossexuais? É de se pensar...

                Não estou dizendo que nós somos imunes às propagandas e fetichizações da sociedade comercial. Mas talvez enxerguemos esse mundo de maneira mais apática e diferente de boa parte dos heterossexuais.


O que vocês acham?

O que vocês acham?

1 comentários:

  1. Eu acho tudo isso muito bom. Assim, nós temos menos tempo para pensar no mundo capitalista artificial e passamos a pensar mais em questões espirituais e metafísicas.

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