quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Se fantasiar de cachorro na hora do sexo é normal? – um olhar místico sobre o puppy play


Ontem eu vi no canal National Geographic, num programa chamado “Tabu” uma reportagem sobre casais com comportamento diferente.

Uma das reportagens era sobre homens e mulheres que fantasiavam em se vestir de cachorro e serem literalmente adestrados pelo seu “dono”. No mundo dos fetiches isso é conhecido como puppy play, onde as pessoas se vestem de animais para serem dominados por alguém.

No instante que vi aquilo, eu ri e achei absolutamente ridículo. Pensei logo “doentes”.


No entanto, após o choque do primeiro impacto, fui lembrando de alguns estudos sobre sociedades primitivas que fiz há um tempo.

Uma das coisas que me chamou a atenção na entrevista de uma das mulheres que fazia o cachorro era que quando ela vestia a fantasia, ela não era mais ela. Ela assumia uma outra personalidade.

A anulação da personalidade é um dos aspectos de vários rituais místicos, principalmente aqueles que usam máscaras iniciáticas. A ideia ali é esquecer-se de si mesmo.


Outra coisa que ela falou foi que durante a encenação como cão, ela se conectava com seu lado mais animal, um lado que nas obrigações do dia a dia ela não podia externar.

Essas duas frases dão um ponto interessante para a análise mística do fenômeno.

Embora isso seja ridículo aos nossos olhos ocidentais, tão acostumados ao olhar da normalidade do cotidiano, em muitas sociedades primitivas, mormente entre os índios norte-americanos, alguns rituais incluíam o ato de fantasiar-se de algum animal.


No rosacrucianismo chamamos isso de magia por semelhança. A ideia aí é que se imitarmos o comportamento do animal numa cerimônia, vamos adquirir seus poderes.

O totem para essas sociedades era o símbolo do animal de poder daquela tribo. Essas práticas foram quase todas destruídas.

A imitação de animais remete a traços primitivos da religiosidade humana, algo que ainda jaz no nosso subconsciente coletivo como a lava de um vulcão há muito adormecido.


Por primitivo estou apenas fazendo uma referência ao tempo, não entra aí qualquer juízo de valor.
O mais interessante é que tais práticas estão ligadas a uma dimensão sexual de submissão e dominação. 

Ora, por si só o sexo está ligado à nossa força mais animal, mais terrestre, aos nossos instintos mais básicos. Será que o puppy play indica uma natureza energética dessa mesma ordem que se manifesta na consciência das pessoas?

Se for assim, por que algumas pessoas têm essas fantasias e outras não?

Não creio ser possível para mim responder a essa pergunta, pois talvez um estudo mais aprofundado relacionando psicologia e misticismo seja necessário. Talvez isso seja uma questão de equilíbrio pessoal apenas.



Talvez tais práticas contemporâneas de sexualidade seja apenas a atualização de algo instintivo no homem – a sua relação com a natureza. Ou sejam apenas um meio para algumas pessoas manifestarem outros traços de sua personalidade oculta. Se fantasiar de cachorro, para alguns, pode ser uma iniciação da consciência.


Antes de analisarmos algo com prejulgamentos ou conclusões apressadas, devemos ter a mente aberta para vermos a coisa por outro ângulo. Não estou dizendo que puppy play é certo ou errado. Antes, acho que a prática reflete a diversidade e os mistérios da consciência humana e pode ser fruto de algumas meditações.

Aquilo que jaz na mente, uma hora ou outra dá um jeito de sair. Será que tais práticas são o eco invisível e inconsciente desses rituais indígenas?


A civilização aparou muitos fenômenos da consciência humana. Em sociedades primitivas, talvez a diversidade de coisas “esquisitas” fosse muito maior por ainda não estarem presas a regras tão superficiais (Mas isso é puro achismo pois nessas sociedades também havia regras às vezes mais rígidas que as nossas).

Para a nossa civilização o foco da espiritualidade é a crença. Para sociedades primitivas o foco era sempre a consciência. A diferença entre uma coisa e outra é brutal.

A pessoa de mente aberta deve ter em sua mente a frase “nada do que é humano me é estranho”.

Amor e Paz

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