terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A luta LGBT é por um projeto de humanidade e não pela sexualidade

Embora a militância LGBT tenha um escopo muito direcionado para a homossexualidade, cedo percebemos que só falar de homossexualidade não é o suficiente.

Aliás, não é nem desejável. A homossexualidade acontece em diversos níveis e se só lutarmos para legitimar socialmente essa forma de sexualidade, corremos o risco de apenas agraciar com lei e aceitação os gays masculinos, brancos e de classe média, que por estarem em sintonia com o status quo do gênero, da classe e da moda, são bem mais aceitos.

Além disso, se só lutarmos por uma forma de sexualidade, corremos o risco de cair em armadilhas retóricas e de vermos nossas vidas limitadas pela sexualidade. Assim, quando dizemos que a homossexualidade é uma forma de sexualidade tão saudável e natural como qualquer outra porque surge no interior dos indivíduos e que não é uma escolha, é fácil sermos confrontados com argumentos homofóbicos dizendo "mas o assassinato e a pedofilia também são impulsos naturais dentro de alguns; a pedofilia também não é uma escolha etc". É difícil você sair desse jogo. Demora tempo para desconstruir essa argumentação ofídica. 

A nossa luta é vertical e horizontal. Não é só pela homossexualidade. É por um homem poder se expressar em características que chamamos de femininas. É por uma mulher ser mais masculina. É por alguém trocar de sexo. 

Quando o presidente de Uganda assinou a lei contra homossexuais, ele disse que "Deus fez homens e mulheres para se reproduzirem". Essa frase é um projeto de humanidade.

Temos uma outra sugestão de humanidade

"Deus fez os seres humanos macho e fêmea, tendo a potencialidade do masculino e do feminino dentro de cada um. E há uma gradação entre os seres humanos".

Equilíbrio global

Este é o projeto de humanidade no qual devemos nos assentar.

É esta gradação dos seres humanos macho e fêmea que manifesta homens masculinos, mulheres femininas, homens femininos, mulheres masculinas, transsexuais, travestis, drag queens, transformistas, hermafroditas e todo o colorido humano.Cada pessoa tem uma natureza que lhe é própria com relação aos elementos masculinos e feminino.

Esta gradação se manifesta baseada num ternário em que se divide fenômenos comuns, incomuns e raros.

Essa gradação é parte de quem os indivíduos são, tal qual ser canhoto, ter olho azul ou ser ruivo.



Tal perspectiva demanda um olhar mais místico e teológico sobre o ser-humano. Mas acreditamos firmemente que enquanto não dialogarmos nesse campo, nossas conquistas sempre estarão ameaçadas. 

É sobretudo no campo das consciências que devemos agir, não apenas no campo das leis (embora tanto a lei possa intervir na consciência, como as consciências sociais podem intervir nas leis)

Se admitirmos que os seres humanos são macho e fêmea, temos um outro campo de especulações filosóficas para pensar e ponderar.

Atualmente é esta a bandeira maior que defendo, muito mais do que qualquer coisa sobre a homossexualidade. Aquilo que chamamos de homossexualidade é decorrente de uma ideia de ser humano muito maior. 

Antes de tudo, nossa luta deve ser por um projeto de humanidade.

Amor e Paz

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