segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A política como redenção e homofobia: a grande ilusão de nossos tempos?

Tenho dialogado bastante com alguns autores da direita. Não porque tenha virado de direita, mas hoje em dia eu tampouco sou de esquerda. Politicamente me defino como centro-direita. Mas isso é só uma curiosidade sobre um dos autores desse blog.

Tenho dialogado com eles porque, sendo criado num ambiente de esquerda, acho fundamental ouvir o que o "outro lado" tem a dizer. E um dos autores de direita que mais tem se destacado é Luiz Felipe Pondé. Suas palavras levam a refletir, você concordando ou não.



Uma das ideias de Pondé é que nossa época tem uma falácia, que é a política como redenção. Assim, acreditamos que todas as mazelas da humanidade podem ser resolvidas por meio de um partido político, programa de governo ou presidente e congresso adequados. Se as coisas num país estão ruins, é porque a política é que é ruim.

Essa ideia é muito tentadora, principalmente porque ela tira toda a responsabilidade dos cidadãos e a transfere para um agente externo, no caso, o governo.

A título de exemplo: o aluno da escola pública no Rio de Janeiro tem direito a uniforme, almoço, passagem, material e escola de graça. Há alguns casos em que a prefeitura do RJ pagam até óculos e sapatos para quem não os tem. 



O que os alunos dão em troca? Bagunçam a sala, são desinteressados, desrespeitam o professor, usam drogas em sala de aula etc. Aí a educação no país é uma porcaria e a culpa é de quem? Do Estado ou do Governo!

A prefeitura faz uma pracinha num local. Os moradores do local vandalizam a pracinha, destroem brinquedos e aí o local fica sem pracinha. A culpa é de quem? DO ESTADO que não constrói pracinhas na comunidade e deixa as pessoas sem nada para fazer!

A partir destes poucos exemplos, podemos ver como culpar o governo e o Estado por TUDO o que acontece num país, não é adequado. Isso porque os cidadãos e indivíduos são parte integrante do sistema e, como tais, responsáveis pela destruição e manutenção de alguma coisa. 



Não estou dizendo que o Estado e a política não têm responsabilidade NENHUMA sobre nada, mas estou dizendo que a forma de pensar que diz q ele é responsável sobre TUDO não é adequada. Antes, ela torna as pessoas lenientes e irresponsáveis para com os seus atos.

Não é à toa que os países mais desenvolvidos, foram justamente aqueles em que os indivíduos tiveram papel predominante na construção do seu meio - Alemanha, EUA, Canadá etc. Nesses locais não se esperou que o Estado fizesse a "grande transformação mundial" de todos os problemas da humanidade, como se faz aqui no Brasil. 



E o que isso tem a ver com a homofobia?

Muita coisa. 

Achamos que uma lei contra a homofobia vai acabar com a homofobia existente. Achamos que políticas públicas vai acabar com a alta taxa de crescimento do vírus HIV entre gays. Achamos que leis penais vai impedir pregações homofóbicas de pastores.

Não estou dizendo que o Estado não possa interferir nessas coisas e CONTRIBUIR com os cidadãos.



Mas hoje, estou mais do que certo de que:

1- A melhor maneira de acabar com a homofobia, é sairmos do armário, mostrando às pessoas que temos dignidade e somos iguais a elas. Em outras palavras, ao invés de esperarmos pela PL 122 e achar que num passe de mágica a homofobia acabará, temos que sair do armário e não sermos COVARDES HIPÓCRITAS.

2- A melhor maneira de diminuirmos o aumento do vírus HIV é usarmos preservativos e termos responsabilidade sobre nossas vidas! :-)

3- A melhor maneira de acabar com pregações homofóbicas nas Igrejas é colocarmos a nossa cabeça para funcionar e criarmos nossos próprios argumentos sobre a homossexualidade e divulgá-los na medida de nossas capacidades.



Viram só? Se por um lado, esperamos que o Estado venha e resolva todos os problemas, nós, como indivíduos, podemos e temos que fazer MUITO ao nosso redor. Mas muitos LGBTs (e as pessoas em geral) preferem achar que tudo começa e termina no Estado, achando que ele é a redenção.

Afinal, culpar a inépcia do Estado é sempre mais confortável do que arregaçarmos as mangas e lutarmos ao nosso redor.



Repito que não estou dizendo que o Estado não tenha que fazer sua parte e que ele não tem responsabilidade sobre nada. Tampouco estou dizendo que um indivíduo vai mudar a sociedade inteira. Mas acredite: ele pode fazer muita coisa ao seu redor.

O que acham sobre isso?

Amor e Paz


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