terça-feira, 7 de junho de 2016

Problematizando o conceito de minoria

Atualmente há uma grande narrativa de movimentos sociais, principalmente de esquerda, que opõe os "facistas da direita" às "minorias". Embora não seja meu intento fazer qualquer crítica a estes movimentos sociais e às suas construções, é preciso se fazer uma ressalva sobre o conceito de "minoria".

O conceito de minoria é frequentemente usado para expressar um grupo mau perseguindo os mais fracos. Politicamente tem forte efeito, mas pessoalmente creio que o termo precisaria ser usado com mais sabedoria.

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Mulheres e "negros" não são minoria. Isso me parece bastante óbvio. Além disso, se minoria representa um grupo numericamente pequeno que está sendo oprimido, então os neonazistas de São Paulo são minoria, evangélicos da Igreja Universal são minoria em relação ao conjunto dos cristãos. Muçulmanos fanáticos são minoria. Monarquistas são minoria. Políticos do Partido Republicano Brasileiro são numericamente minoria.

Se "perseguir" minorias é errado, então se eu exercer uma crítica ao PRB, à IURD, aos neofacistas e aos muçulmanos salafistas, estarei eu perseguindo "minorias"?

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O que impede esses grupos se apropriarem destes conceitos de "perseguição às minorias" para difundirem ideais nefastos na sociedade sem serem neutralizados?

Como vemos, o conceito é de minorias é pra ser usado com certa propriedade. E, querem saber? Ainda bem que algumas minorias são perseguidas e têm mesmo que serem perseguidas até serem eliminadas ideologicamente, como é o caso do facismo, do salafismo e dos evangelismo da IURD. 

Escrevo este texto para chamar a atenção que colocar os LGBTs no balaio de minorias é uma narrativa perigosa. As minorias sexuais são uma categoria de minoria muito específica que não se enquadra, a meu ver, junto com negros, curdos, muçulmanos, mulheres, japoneses etc.

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Penso que devemos atacar a perseguição às "minorias sexuais e de gênero", ao invés de atacar a perseguição às minorias, pois, como vimos, o conceito de minorias perseguidas envolvem um problemática muito mais complexa que por vezes tangencia a geopolítica.

A título de exemplo, podemos citar o exemplo da Turquia. Os curdos querem um Estado-nacional para si e, para tal, querem um pedaço da Turquia. O governo persegue os curdos e também os LGBTs. Quando os LGBTs se "juntam" aos curdos acusando o governo de perseguir as "minorias", o governo turco automaticamente se vê obrigado a aceitar tanto os LGBTs quanto o separatismo curdo.

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Alguns podem dizer que os curdos teriam o direito a um território próprio. O problema é que isso envolve uma problemática histórica que tem muitos lados, muitas interpretações. Às vezes creio que um Estado, para se manter estável, forte e não se desintegrar, infelizmente, tem sim que perseguir certas minorias que são fatores de instabilidade. Isso, infelizmente, faz parte do mundo e do jogo geopolítico.

Como vemos, a questão é bem complexa. É por isso que simplesmente não vejo como saudável incluir LGBTs na categoria abstrata de "minorias", mas sim defini-los de forma bem estável e firme como "minorias sexuais e de gênero", pois assim, ficamos bem longe de conflitos políticos de difícil solução.

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E vocês, o que têm a dizer sobre isso?

Amor e Paz

Um comentário:

  1. Minorias,sociologicamente falando,não é sobre quantidade, mas sim sobre direito e capacidade de voz na sociedade.

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