sábado, 4 de junho de 2016

Um olhar pitagórico sobre a diversidade de gêneros humanos

Parece que é cada vez mais inegável que após os homossexuais conquistarem aceitação social e o casamento civil, a bola da vez são os transgêneros, elemento que sempre foi marginalizado até mesmo entre a comunidade LGBT.

Nesse sentido, os debates sobre transsexualidade, transgêneros e gêneros ganham cada vez mais relevância. Recentemente saiu uma notícia de que o estado de Nova York, nos EUA, reconhecerá 31 gêneros diferentes, a saber:

Bi-gendered (Bi-gênero)
Cross-Dresser
Drag-King
Drag-Queen
Femme Queen
Female-to-Male (Fêmea-para-macho)
FTM
Gender Bender (Gênero fronteiriço)
Genderqueer
Male-To-Female (Macho-para-fêmea)
MTF
Non-Op
Hijra
Pangender (Pangênero)
Transexual/Transsexual
Trans Person (Pessoa trans)
Woman (Mulher)
Man (Homem)
Butch
Two-Spirit (espirito duplo)
Trans
Agender (sem gênero)
Third Sex (Terceiro sexo)
Gender Fluid (Gênero fluido)
Non-Binary Transgender (transgênero não binário)
Androgyne (andrógena)
Gender-Gifted
Gender Bender
Femme
Person of Transgender Experience (Pessoa em experiência transgênera)
Androgynous (Andrógeno)

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Essa tentativa não é a primeira. Tempos atrás o Facebook também teve a iniciativa de deixar que cada um defina seu gênero. A experiência aparentemente não deu muito certo, na medida em que as pessoas começaram a debochar. Teve gente que definiu seu gênero como "Eu sou a chuva que lança as areias do Saara sobre os automóveis de Roma". Parece- me que essa liberdade total de deixar cada um se definir como quer se demonstrou instável demais.

Confesso que sempre achei esse papo de gênero meio estranho. Na minha cultura latino-católica, homem foi feito para ser "homem" e mulher para ser "mulher" e tudo o que foge a isso seria o "errado".

Mas o fato é que essa visão católica não é universal e tampouco única. Na Thailândia há os tomboy e kathoeys, na Índia há os hijras, em Sulawesi na Indonésia há os calabai, calalai e bissus e entre tribos indígenas nativo-americanas havia tribo com vários gêneros.

Mas afinal, o que é gênero?




Essa é uma pergunta difícil de responder e não me acho gabaritado para tal. Acredito que esses movimentos feministas e queer vêm com uma nova proposta de mundo, mas falham em definir conceitos e apresentá-los adequadamente à população em geral.

Há de se ressaltar que mesmo a teologia católica de botequim que afirma que "homem nasceu para ser homem" e que "mulher nasceu para ser mulher" é limitada. Pergunte a três homens o que é preciso para ser homem, terá três respostas diferentes.

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Repare o leitor que há respostas populares para isso, como "homem que é homem não nega fogo", "homem não leva desaforo para casa", "homem não chora", "homem que é homem não bate na mulher", "homem não broxa", "homem não conta o que faz com a mulher na cama" entre outras....

Mas a questão é: se um homem heterossexual negar fogo, levar desaforo pra casa, chorar, bater na mulher, broxar e contar o que faz com a mulher na cama, ELE DEIXA DE SER HOMEM?

Do ponto de vista biológico não, mas do ponto de vista cultural talvez sim. Ou ainda, passa a ser menos homem. 


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Além disso, todos os homens necessariamente se comportam dessa maneira acima, seja ele homo ou heterossexual?

Como vemos, a frase "homem nasceu para ser homem" não faz sentido nenhum porque ninguém tem uma definição absoluta do que seria esse "ser homem". Esse "ser homem" é uma construção cultural, uma ideia que a sociedade faz de masculinidade para induzir e instar determinados tipos de comportamento nos indivíduos que têm pênis (se isso é bom ou ruim, certo ou errado, é um debate para outra hora. Por agora, quero apenas chamar atenção de que essa tal masculinidade é um substrato cultural para induzir comportamentos).

Mesmo o que achamos tão masculino hoje em dia, nem sempre o assim o foi. Na Idade Média os nobres usavam salto alto, maquiagem e peruca. Na Escócia usam uma especie de saia.

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Fiz esse pequeno desvio no texto para mostrar que o que se define por masculinidade tem uma natureza mutatis mutandis e não é uma lei absoluta, pois dentro das noções culturais que se atribuem aos indivíduos com pênis, há a personalidade e a cultura de cada um.

De qualquer forma, dou aqui uma singela tentativa de definir uma noção do que pode ser gênero com base na minha experiência intelectual e na minha bagagem mística.

Cada ser-humano nasce com um corpo - masculino, feminino (desconsiderando os hermafroditas, ok?). Só que as pessoas são resultantes de uma miríade de fatores internos e externos que envolvem não somente seu mundo exterior mas também seu mundo interior, em outras palavras, sua personalidade. Dessa combinação de fatores é que nascem as variadas manifestações que nossa cultura decidiu chamar de gêneros.

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Há de se notar que a maioria dos homens do sexo masculino estão confortáveis nas categorias sociais de masculinidade, bem como muitas pessoas do sexo feminino estão confortáveis com sua feminilidade. Ambos gostam de fazer o papel de homem e de mulher que a sociedade lhes oferece, ainda que em um ou outro aspecto, cada um possa ter uma ou outra característica diferenciada.

Mas parece que há uma grande quantidade de indivíduos que, por sua natureza peculiar, não se encaixam necessariamente nesses nomes. Seu comportamento, suas visões de mundo, sua sexualidade, sua personalidade e seu modo de agir e atuar sobre seu corpo geram manifestações que não são facilmente enquadradas nas categorias de gênero ocidental homem ou mulher. É daí que surgem os 31 tipos de gênero definidos pelo Estado de Nova York.

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Independentemente dos estudos sociológicos relativos a essa questão, particularmente tenho um olhar pitagórico sobre isso. Para quem não conhece o pensamento místico de Pitágoras, ele afirmava que todas as manifestações que existem no mundo são o resultado do encontro de vibrações positivas e negativas de valores numéricos bem determinados. Para saber a resultante vibratória de um fenômeno, há de se fazer a redução teosófica do resultado da soma das duas vibrações que o compõem.

Sei perfeitamente que essas noções filosóficas são difíceis de apreender e eu mesmo demorei 10 anos para começar a absorver esse pensamento, mas eu o apresento apenas a título de curiosidade.

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O fato é que podemos considerar que toda pessoa é o resultado de uma união entre vibrações. E por vibrações entendo o conjunto formado pelo seu corpo, pela sua genética, pela influência astrológica, pela sua criação e meio onde vive, por sua família, pela sua Memória, e, e talvez principalmente, pela personalidade-alma que habita no corpo.

O resultado final dessa influência vibratória é uma personalidade particular com suas idiossincrasias. E essas personalidades possuem semelhanças em suas manifestações externas. E é a isso que podemos, pitagoricamente, definirmos como gênero.

A meu ver, os chamados "homens" e "mulheres" são apenas a resultante mais comum da união de frequencias vibratórias que existem na formação das pessoas. Há, no entanto, resultantes vibratórias incomuns e raras, que comporão todo o espectro da comunidade LGBT+.




A tese principal deste texto é que os chamados diferentes tipos de gênero são nomes que a sociedade escolheu dar para o resultado da interação entre diferentes influências vibratórias.

É bem verdade que em todas as sociedades essa diversidade humana sempre existiu, mas muitas vezes ela não tinha nenhum nome institucionalizado e socialmente reconhecido. Assim, muitas pessoas simplesmente vivenciavam sua personalidade e sua idiossincrasia sem nem se preocupar em criar ou em saber que existia um nome para aquilo e que aquilo seria designado como um gênero próprio.

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Esse é o meu olhar sobre a questão dos gêneros com base no pensamento de Pitágoras. O que é principal é entender que todos estes novos gêneros são apenas formas linguísticas de se dar nomes à variedade de fenômenos vibratórios que existem no encontro das múltiplas vibrações que compõem a vibração resultante que damos o nome de "pessoa".

E vocês, o que pensam sobre isso?

Obs1.: Considero todos estes debates sobre gênero interessantíssimos, mas como sou um conservador liberal, vejo a mudança com certa prudência, embora não seja infenso a ela. Só o tempo dirá se essa variedade de gêneros criados são valores sociais válidos e virtuosos de modo que tinham uma existência de longo prazo e que traga paz e prosperidade à sociedade ou se são apenas o boom de uma moda intelectual passageira. Quer critiquemos as religiões ou não, os valores dados por elas existem há séculos e milênios e tem estruturado a vida social por bastante tempo, bem como tem sido o referencial para muitas pessoas. Teremos que ver se estes valores da diversidade de gênero poder ão ser acrescidos aos valores estáveis das sociedades. Do contrário, serão uma moda com início, meio e fim.

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Pessoalmente tenho uma forte desconfiança dessa liberdade total e absoluta para cada um se definir do gênero que quer, sem levar em consideração imposições de ordem biológica, quase como vivendo em um mundo paralelo. Se uma pessoa quer se tatuar feito um tigre ou quiser cortar as orelhas para ficar parecida com um dragão, tudo bem, pois cada um tem a liberdade de fazer o que se quer. Mas será que se uma pessoa se definir como "gênero dragão", todos necessariamente terão que aceitar e chamá-la dessa forma? Será que uma pessoa tatuada em forma de dragão e que se sinta como um dragão, precisa necessariamente ser "um gênero diferente"?

Sei que o exemplo do dragão é caricato, mas acreditem em mim: a mente humana não conhece limites. Podemos ver na internet vários exemplos de coisas loucas, como um homem de 47 anos pai de família que resolveu viver como uma menina de 8 anos ou ainda pessoas que decidem virar satanás ou Jesus Cristo. 


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Qual o limite para isso? É por isso que esse debate sobre gênero é interessante, mas há de se definir o que de fato é ou não é gênero. Até onde eu estudei não achei uma definição satisfatória, mas o leitor pode contribuir com esse debate indicando bibliografias.

Obs2.: A problemática dos gêneros envolve também uma questão linguística. Nos idiomas antigos é comum haver o singular, plural, dual, neutro. Na nossa língua latina, o nosso pensamento fica totalmente preso à categorias que ou são masculinas ou femininas, o que impede a apreensão de outras formas de fenômeno e de linguagem. 


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Amor e Paz

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