domingo, 17 de julho de 2016

Diversidade sexual e moralidade

Certa vez li em um texto rosacruz que dizia que as grandes religiões foram construídas em um momento específico do tempo e do espaço da humanidade e que as regras morais que advinham dali não tinham necessariamente um caráter universal. Assim, o que era imoral ou errado há uns tempos atrás poderia se adaptar aos nossos dias sob uma moralidade perfeitamente honrosa, mas que regras como não matar, não roubar, respeitar o próximo etc essas ainda hoje permaneciam atuais. 

Embora o texto não fizesse menção explícita aos LGBTs, é inegável que seu conteúdo se refere a eles. Isso foi, sem dúvida, uma bela iniciativa do pensamento rosacruz no que se refere à diversidade afetivossexual.

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Por outro lado, certa vez um bispo católico afirmou que a adoção de crianças por casais homoafetivos poderia gerar grande desordem moral. A íntegra da reportagem pode ser conferida no site: http://www.acidigital.com/noticias/bispo-preve-desordem-moral-sem-precedentes-apos-lei-de-adocao-por-homossexuais-43964/

Durante muito tempo eu concordei com o pensamento rosacruz, mas hoje percebo que os ensinamentos da Igreja Católica sobre moralidade têm algo a nos ensinar. O texto a seguir, portanto, trata da seguinte problemática: qual a relação entre diversidade afetivossexual e moralidade?

É muito difícil definir o que é moral, sendo que ela se refere basicamente a um conjunto de regras que devemos ou não fazer dentro de determinada sociedade. Mais difícil ainda é definir a diferença entre moral e ética. Seja como for, a moral de uma sociedade tem um caráter cíclico. De fato, muitas coisas eram imorais há tempos atrás e hoje são completamente naturalizadas. Mas isso não necessariamente é sinônimo de "decadência" de uma sociedade. Mudanças na moral são simplesmente transformações nas percepções das pessoas.

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A título de exemplo, antigamente era imoral o sexo antes do casamento, uma viúva voltar a se casar, uma menina olhar para um rapaz e manifestar seu desejo, homem usar brinco e muitas outras coisas. Hoje em dia a sociedade vê determinados comportamentos com um olhar mais aberto e menos restritivo, o que torna a vida menos sufocante do que já foi.

Alguns afirmam que atualmente o mundo sofre de "decadência moral", mas isso é uma visão ingênua pelo simples fato de acharem que no passado havia um rigor moral pleno das pessoas e que os dias de hoje é que estão decadentes. Isso é sem dúvida alguma uma romantização dos tempos passados. Se é bem verdade que a moral social era rígida no passado com relação a alguns aspectos, não o era em muitos outros. Assim, o que era normal antigamente, hoje é imoral. 

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Um exemplo claro era bater nos filhos, a esposa obedecer ao marido, alguém tratar mal aos animais etc. Antigamente tudo isso era normal, mas hoje em dia tais coisas são muito mal vistas e até mesmo imorais. Portanto, essa coisa de afirmar que a sociedade está em decadência só porque não existe mais uma "moralidade bíblica" é um equívoco de apreciação.

Naturalmente os LGBTs se beneficiaram muito das transformações morais da sociedade e se antes eram relegados à marginalidade e escuridão, hoje já podem andar à luz do dia em muitos lugares. 

Mas ainda assim, permanece o problema da moralidade: o que a sociedade ser considerar moral ou imoral?

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Nesses tempos em que tudo é "opressão", soa até anacrônico falar em moral social. Mas o conceito de opressão é ingênuo, na medida em que toda moral tem uma natureza restritiva, ou seja, impõe aquilo que podemos ou não fazer em uma sociedade. Nós simplesmente não podemos fazer tudo o que queremos sem quebrar algumas regras de coesão social; portanto, em alguns aspectos, sempre seremos "oprimidos". E é aí que entra a fala do religioso que diz que a adoção por casais homoafetivos leva à desordem moral. Embora eu esteja longe de concordar com ele, creio que ele tem algo a dizer. Creio, principalmente, que ele erra ao associar a homossexualidade aos problemas morais de uma sociedade, mas vou procurar analisar o cerne de seu pensamento.

Há um texto no UOL intitulado "Transar com desconhecidos me fez uma mãe melhor" - http://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2016/06/22/transar-com-desconhecidos-me-faz-uma-mae-melhor-diz-adepta-do-poliamor.htm . Neste texto a esposa, que tem dois filhos, diz que transa com desconhecidos há dois anos e que "Se meus filhos pedissem para que eu parasse, não faria, pois não posso deixar de ser quem eu sou, não poderia deixar de viver a vida que gosto".

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A fala dessa mulher gera um problema filosófico do tamanho de um trem, como tentarei explicar. Naturalmente, se no caso específico dessa mulher que pratica poliamor, tudo ocorre bem e ela não é negligente com os filhos, ótimo. Mas imaginem a seguinte situação: 

Uma mãe tem dois filhos, um de oito e outro de 10 anos. Só que ela adora fazer sexo com qualquer um, ir pro bar e voltar bêbeda. Ela deixa seus filhos dormindo sozinhos à noite volta pra casa de manhã, dormindo o dia inteiro. Essa é a vida que ela adora. Seus filhos pedem para ela parar, mas ela diz que não vai parar porque não pode deixar de ser quem é. Essa mulher está certa?

Outra situação: Um homem, pai de três filhos, larga a mulher sozinha para cuidar das crianças decide viver com a amante, com quem tem tórridas transas. A mulher pede para ele voltar e ele diz que não o fará, pois não pode deixar de ser quem é e não pode deixar de viver a vida que gosta.

Achou esquisito? Pois os argumentos utilizados nos dois casos são os mesmos utilizados pela mulher que transa com desconhecidos. 

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Outro elemento que também me chama a atenção no discurso dessa mulher é a frase "isso é quem eu sou". Parece que ela usou um argumento que é muito caro à alma dos LGBTs para querer justificar e legitimar todo e qualquer tipo de comportamento. Agora vocês imaginam assassinos, drogados, agressores de mulheres e chantagistas dizendo "isso é quem eu sou e não vou mudar"!!! Como faz?

Alguns LGBTs podem estar achando os argumentos aqui expostos um absurdo e de fato são. Mas só o são porque o problema da moralidade e os homossexuais não concerne aos mesmos, mas principalmente aos heterossexuais, que podem começar a usar um relativismo moral para justifica e legitimar qualquer comportamento de merda.

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O fato é que toda sociedade precisa de certa moralidade que impõe deveres e responsabilidades ao indivíduo e a um grupo. Em nossa sociedade uma das principais fontes de moralidade tem sido a religião, mas esta não é a única.

O erro da religião foi ter criado uma moralidade restritiva, que tendia a um exagero puritano e hipócrita e principalmente fosse excludente com pessoas que nasceram diferente e que não eram essencialmente imorais. Estes excessos fizeram e fazem com que todo o sistema de pensamento moral relativo ao Cristianismo sofresse críticas e fosse atacado de todas as formas, de modo que atualmente ele já não tem mais tanta força. Isso, porém, parece ser uma faca de dois gumes. Pois se por um lado nos deu liberdade, por outro, levou muitos heterossexuais a justificarem algumas atrocidades familiares que tenho visto por aí. 

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Minha experiência dando aula em escolas públicas cariocas me fizeram ver que, de fato, alguma coisa positiva se perdeu. Mas o problema é que os LGBTs nada têm a ver com isso. Eles são vítimas de serem usados pelos heterossexuais para que eles próprios justifiquem suas merdas, afinal, se "o casamento gay é aceitável, logo eu posso cagar e andar para minha família e viver com minha amante me drogando por aí".

Pessoalmente creio que precisamos de uma nova e firme moral que volte a unir as famílias. Mas dessa vez, uma moral que inclua os LGBTs.

Parece bem evidente que as palavras inclusão e moralidade apresentam certa tensão. Isso porque todo sistema moral implica em incluir aqueles que se comportam de determinada maneira e excluir os que desviam. As igrejas evangélicas parecem ter atingido um meio termo nisso, dizendo que deve-se incluir "drogados" e homossexuais, mas lutar para que eles mudem. Ou seja, é uma inclusão que até apresenta certa lógica. Mas ainda assim, ela peca por nivelar o que não é comparável - diversidade afetivossexual com usuários de drogas.

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Também não adianta dizer que sexualidade nada tem a ver com moralidade, por que tem sim. Como fica o estupro, a pedofilia, o incesto, a necrofilia e a zoofilia? A meu ver, esses desejos humanos - que por final são infinitos - se envolvem com noções de moralidade, ética e de certo e errado.

O que quero, afinal, dizer com esse texto? 

A minha mensagem é que precisamos sim da moralidade. Precisamos de pais e mães que saibam claramente o que é certo e o que é errado e, principalmente, o que é PRECISO fazer. E o que eu devo fazer muitas vezes implica numa diminuição do ego, dos desejos individuais e de uma noção meio infantiloide de direitos para uma noção de "nós - minha família", do "nós - o que precisamos" e de uma noção espirituosa dos deveres. E pessoalmente gostaria muito que os LGBTs fossem incluídos numa moralidade espirituosa e honrosa que não implique necessariamente em uma abertura e uma aceitação social para todo e qualquer tipo de comportamento equivocado e errado. 

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Assim, meu pensamento principal é o que a moralidade deve ser um saudável equilíbrio entre as liberdades individuais e aceitação das diferenças e o bom senso de saber que temos deveres que estão acima de nós. Precisamos, portanto, de uma nova moral - de uma moral mais crítica e mais galgada no bom senso. Sem exageros de míticos "tempos bíblicos" que nunca existiram, mas também sem uma permissividade acéfala galgada num relativismo moral ilusório.

O que vocês acham sobre isso?

Amor e Paz

PS: O pior dessa história toda é que as igrejas se provam absolutamente burras nesse quesito, pois ao defenderem uma moral que exclui os LGBTs, elas são atacadas ainda mais e perdem a influência e a moral, o que faz muitos heterossexuais a se afastarem das igrejas. Ou seja, ao criar uma moralidade restritiva, elas atiram no próprio pé.

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