segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Deus é gay?

Muitas pessoas falam sobre Deus o tempo inteiro. Deus quer isso, Deus deseja aquilo, Deus é amor, Deus é vida, Deus vai te dar, Deus proíbe etc. Não há uma pessoa que não tenha seguido pelo caminho da espiritualidade que não tenha se debruçado sobre o conceito de Deus.

Mas afinal, como é Deus? O que é Deus?

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Esses papos sobre Deus sempre giram em torno do abstrato e amiúde terminam em confusão. Isso ocorre por um simples detalhe: quando falamos sobre Deus, não estamos falando sobre ele em si, mas sobre as imagens que temos sobre Deus. Nesse sentido, todas as informações que "temos" sobre Deus, não são, de fato, informações sobre ele, mas sim as visões que cada cultura, cada povo e cada indivíduo desenvolve sobre este conceito.

Naturalmente, algumas dessas visões são predominantes enquanto que outras são marginais. Ambas essas perspectivas exercem um movimento dialético que são a própria essência da evolução na percepção que os seres humanos têm do sagrado.

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O fato é que Deus não é um "criador", uma "força maior", "uma luz" etc. Todas essas atribuições que nós damos a "Deus" ainda são nossas visões e imagens acerca de Deus. Mas então, o que é Deus?

A meu ver, Deus é um conceito; uma ideia. Mas não somente isso. Ele é a maior ideia-força que os seres-humanos parecem alcançar neste momento de nosso pensamento. Deus seria uma ideia que explicaria tudo o que existe, a "Causa Primeira", o mistério do universo e do próprio existir. Ele é essencialmente uma ideia frutífera. A partir dela várias noções filosóficas, modos de pensar e conceitos metafísicos foram e são criados e gerados.

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As pessoas que desenvolveram essa noção de Deus como supremo criador pretendiam alcançar, por meio do pensamento, o transcendental e correlacionar esse possível transcendência que existe com o mundo material e a existência.

Deus é, portanto, uma noção metafísica construída por uma determinada cultura. Reforço este ponto porque não necessariamente para se desenvolver uma espiritualidade precisa-se necessariamente da ideia de Deus.

Isto posto, devemos também que Deus é um "objeto" que é indissociável de seu "sujeito". Ou seja, talvez não exista fora de nós em "essência", mas ele exista principalmente dentro de nós. E nessa medida, tudo o que afirmamos sobre o conceito de Deus é, expressão do que existe dentro de nós mesmos. Nossas percepções sobre Deus não fala sobre quem ele é, mas sim sobre quem somos.

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Após essas ponderações, cabe nos perguntar: Deus é gay?

Essa frase é iconoclástica. Sabendo que o que falamos sobre Deus são unicamente as imagens que provém de nossa mente sobre esse conceito, por que alguém diria que Deus é gay?


A primeira vez que ouvi essa frase foi, por incrível que pareça, da boca de um homem heterossexual, a saber Curt Cobain na música Star Away. Dizem que o cantor era extremamente solitário e o único amigo que ele fez na adolescência era um rapaz gay que as pessoas adoravam humilhar. 

Frei Beto, em um artigo recente, escreveu "Deus é gay?" - http://oglobo.globo.com/sociedade/deus-gay-14329562. Nele, o autor faz uma leitura dos evangelhos à luz da questão LGBT. 

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Apesar disso, já algum tempo tenho ouvido algumas pessoas dizerem que Deus é gay.

Mas por que será que Deus seria gay?

Muita gente afirma isso por achar que gays são inteligentes, educados, carinhosos, cultos, de bom coração. Embora isso seja uma idealização dos indivíduos, creio que muitos homossexuais são assim mesmo. Mas ainda que a idealização possa adocicar a imagem que nós temos sobre este ou aquele grupo, ela, por si só, não é "a realidade". Porém, mesmo assim, creio que essa idealização positiva que muitos fazem dos gays seja construtiva. 

Assim, se uma pessoa vê que Deus é portador das mais nobres características que gays idealísticamente podem ter e, outrossim, que essas características por si só são divinas, creio que isso é extremamente espirituoso

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O fato é que o convívio com gays pode fazer os heterossexuais evocarem as mais nobres virtudes. Por nobre virtude não me refiro àquela tolerância rasgada de achar o outro um criminoso mas aguentar a presença do outro. Por tolerância me refiro à capacidade de expandir o pensamento e compreender que na diversidade que existe entre todos os seres humanos existe uma unidade fundamental que nos une em alma.

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Ao lidar com gays, heterossexuais podem transitar entre diversos mundos (o dos "pecadores"), podem ampliar seu pensamento. E podem desenvolver um amor ao próximo muito mais profundo na medida em que a compreensão do outro é o que está em jogo. Um heterossexual que acolhe os LGBTs está, pela forma do amor, suplantando séculos de cultura heteronormativa em prol do outro. Nada mais nobre.

Dessa forma, se Deus é a imagem que Dele fazemos, dizer que Deus é gay me parece ser uma ideia bastante frutífera que pode gerar inúmeras reflexões. Ao menos, nesse caso, ele não me parece um Deus rancoroso, amargo, tacanho e excludente, feito à imagem e semelhança de muitos heterossexuais por aí.

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E vocês, o que pensam sobre isso?

Amor e Paz



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