segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A busca pela felicidade e os LGBTs

Todas as conquistas LGBTs parecem estar assentadas sob as bases filosóficas de uma ideia muito cara ao pensamento ocidental: a de que o indivíduo possui o direito à felicidade.

Embora isso possa parece óbvio para alguns, o fato é que nem sempre a felicidade foi um "direito". Em sociedades tradicionais, principalmente nas quais não existe indivíduo, e a pessoa é parte de uma coletividade, a questão da felicidade individual nem passa pelo horizonte. O que importa é você se adaptar às tradições e seguir os ritos e é isso. 

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A liberdade dos LGBTs de ter uma vida, portanto, segue uma trajetória intelectual de consolidação da ideia de indivíduo e de que este tem o direito à felicidade. 

E o que podemos dizer sobre isso?

Pessoalmente creio que o direito à felicidade é inalienável e deve ser buscado com todo afinco. Isso, no entanto, não quer dizer que essa noção não tenha problemas. Parece óbvio que a simples pergunta "o que é felicidade?" já pode gerar intensos debates, afinal, o que é felicidade para mim pode não ser para o outro. Se for assim, como fica?

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Essa busca pela felicidade parece ser a tônica da cultura contemporânea e isso nos afeta de inúmeras maneiras. Às vezes sem percebermos. Tenho um amigo que ganha um salário bem alto para os padrões brasileiros, mas ele quer largar tudo para ir tentar a vida na Austrália para viver melhor por lá. Em outro exemplo, certa vez conheci uma mulher que era casada com outra mulher há quinze anos. As duas viveram bem e felizes, como uma verdadeira família, mas uma delas se apaixonou por uma terceira mulher e largou tudo pro alto. Depois esse relacionamento terminou e a mulher ficou sem as duas.

Nos dois casos, eu pergunto ao leitor: valeria a pena largar um alto salário no Brasil para ir pra Austrália? Valeu a pena largar um relacionamento de anos em busca de uma aventura?

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Seja qual for a resposta do leitor, desejo apenas chamar a atenção para o fato de que as duas atitudes estão alicerçadas na ideia de que devemos buscar a nossa felicidade. Mas daí eu pergunto: até que ponto deve ser assim?

Além disso, há um fator físico aí. No mundo existe 7 bilhões de pessoas. Se 7 bilhões de pessoas resolvem buscar sua felicidade por meio de conquistas materiais e, uma vez que cada um tem necessidades específicas, é óbvio que essa conta não fecha. Sendo assim, me parece também que a felicidade provém de algum grau de resiliência e aceitação frente a nossas limitações.

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Os gregos já perceberam isso séculos antes de nós. Embora a palavra hedonismo signifique hoje em dia a busca pelo prazer, na Grécia Antiga, o prazer era justamente a ausência de apetites físicos, ou a moderação nos apetites. Coisa que os budistas vão chamar de desapego. 

Para nós parece que a felicidade é justamente o apego aos apetites físicos: ter um amor, uma casa, um carro, jantar fora ou ter as melhores viagens. Nada contra isso tudo. Juro. Nada mesmo. Acho até bem legal e creio que estes valores movem a vida. O problema é o tom que se dá a isso em nossa trajetória individual. 

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Para quem quer largar tudo e ir pra Austrália para fugir dos problemas daqui, saiba que na Austrália também haverá outros problemas. Igualmente, quem quer terminar um relacionamento para buscar um melhor, saiba que o outro relacionamento também terá problemas. 

Então isso quer dizer que não podemos nunca tentar um novo relacionamento ou ir para a Austrália? Naturalmente não. Podemos fazer tudo isso. Mas tal decisão deve ser bem ponderada pela sabedoria.

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Assim, embora eu creia que a busca pela felicidade seja importante e ela seja um fator dinamizador da aceitação dos LGBTs pela sociedade, acho que cada um de nós deve ter a temperança e a prudência necessária de perceber que o direito à busca da felicidade não pode ser convertido na ilusão de que a vida deve ser um parque de diversões permanente. Felicidade não é um estado de ausência de problemas, mas um estado de lidar com eles de forma sábia. Algum grau de austeridade com relação aos nossos apetites e desejos também é felicidade. Dizer não para nós mesmos também é felicidade.

E vocês, o que pensam sobre isso?

Amor e Paz




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