terça-feira, 6 de setembro de 2016

A caridade, a homofobia e os LGBTs

Carta vez eu estava no trem indo para o trabalho e entrou um daqueles caras chatos pedindo dinheiro. Mas dessa vez era bem diferente. Ele estava ligado àquelas instituições que recuperam viciados em drogas. Após uma intensa pregação contando como ele estava na merda e Jesus o salvou, o rapaz distribuiu panfletos e pediu dinheiro. Eu estava colocando a mão no bolso para dar alguma quantia, quando li no papel que ele entregou "Curamos viados em cocaína, crack e homossexualismo". 

Imediatamente larguei e o papel e não dei nada. Naturalmente eu não podia dar suporte à uma instituição desse nível. 

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Este texto é, portanto, sobre a caridade. 

É inegável que vivemos imersos em uma cultura de caridade. É um temporal aqui ou uma barragem que cai ali, ou um show pra crianças carentes, que os brasileiros imediatamente se unem para doar coisas aos necessitados. Isso, naturalmente, é maravilhoso e expressa muito bem o coração bondoso de nosso povo.

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Mas tal postura tem dois lados no que se refere aos LGBTs. Essas milhares de instituições que ajudam a recuperar drogados e são financiados com dinheiro de igrejas, dinheiro público e doações particulares, estão ligadas muitas vezes ao fundamentalismo religioso. Isso sem contar aquele tal "Exército da Salvação" - um grupo de crentes com várias declarações homofóbicas que fazem o trabalho de ajudar os "pobres" coletando móveis para serem doados.

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Do meu ponto de vista, sempre tive certo pé atrás com estas instituições, principalmente no que se refere ao dinheiro. Eu não costumo dar dinheiro para pedintes na rua por n motivos que não cabe aqui expor. Por outro lado, não confio em instituições de caridade na medida em que elas frequentemente são religiosas e, portanto, homofóbicas. Como posso dar dinheiro para instituições que trabalham em torno de um ideário homofóbico?

Claro que se pode argumentar que as pessoas a quem estas instituições ajudam nada tem a ver com a homofobia delas. Mas ainda assim, creio que distribuir meus parcos recursos para instituições ligadas ao fundamentalismo religioso me parece algo malsão. Não me sinto à vontade.

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No fundo, no fundo, acho um absurdo uma instituição dizer que se preocupa com crianças pobres e se opõe à adoção homoafetiva dessas crianças. Acho que bem lá no fundo estas instituições se alimentam dessa pobreza e dessa infância empobrecida e necessitada. Por isso não sou partícipe deste processo, por mais que isso possa me dar alguma satisfação pessoal de "ajudar aos necessitados"

E vocês, que postura têm frente a caridade? Levam em consideração a questão da homofobia ao se engajarem numa instituição de caridade? 

O que pensam sobre isso?

Amor e Paz

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