terça-feira, 13 de setembro de 2016

Militância política e maniqueísmo

Certa vez um menino aleatório me adicionou no FB. Ao analisar superficialmente o seu perfil para saber de quem se trata, vi a seguinte frase: Não adiciono racistas, machistas e homofóbicos

Essa frase de efeito, que tem se espalhado amiúde, é bonita e idealista e creio que ela tenha a melhor das intenções. No entanto, posicionamentos dessa natureza, que não são raros de encontrar por aí, me parecem cada vez mais exóticos. Quando dizemos que não adicionamos racistas, machistas e homofóbicos, corremos o singelo risco de partir do seguinte pressuposto: o de que o "outro" é o mal. Mas pior do que isso: corremos o risco de acreditar piamente de que nós somos o "bem". 

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Daí eu pergunto: será mesmo que nós estamos com essa bola toda?

Ao identificar certas características no outro e classificá-lo imediatamente como representante de um "mal", além de estarmos generalizando, estamos nos bloqueamos ao diálogo. Porém, mais do que isso, eu às vezes me pergunto quais são os demônios que se escondem por trás dessa gente que acredita ser do "bem" e acredita piamente estar defendendo o "bem"...

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Não estou dizendo que não devamos lutar contra o racismo, a homofobia e o machismo e tampouco dizendo que nós não sejamos, de fato, boas pessoas. O que estou dizendo é para tomarmos cuidado com a crença de que nós somos os anjos da bondade apenas por lutar contra o racismo, o machismo ou a homofobia, ao passo que os outros são a fonte de todo mal. Esse pensamento é muitas vezes enganoso. Aquele que identifica a maldade no outro muitas vezes acaba cego pela maldade que existe bem debaixo de nosso nariz. 

É importante lutar contra o machismo, o racismo e a homofobia. É natural você não querer certas pessoas perto de você. Só devemos ter o cuidado de que, neste exercício legítimo, acreditemos estar acima do bem e do mal e que os nossos maravilhosos "fins" passem a justificar toda sorte de autoritarismo apenas porque aquilo pelo que você luta é essencialmente o "bem", ao passo que o outro e suas opiniões são o "mal". 

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Na vida encontraremos pessoas com muitas histórias de vida, muitas experiências, muitos defeitos, muitas qualidades. E igualmente pessoas que hoje pensam assim e amanhã pensam assado. 

A vida, portanto, não me parece tão bem divididinha assim entre os "mauzinhos" e os "bonzinhos" (que no caso, o bonzinho é você, que defende toda sorte de "negrxs, LGBTs, mulherxs e oprimidxs"). Creio que a militância política deve ser acompanha por um exercício constante de enxergar nossos próprios defeitos, assim como nós conseguimos enxergar o machismo, o racismo e a homofobia dos outros.

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E vocês, o que pensam sobre isso?

Amor e Paz

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