terça-feira, 13 de setembro de 2016

Os LGBTs e a ausência do Ego

Certa vez eu ouvi de um amigo rosacruz que esse negócio de os LGBTs quererem o casamento homoafetivo era uma questão de Ego e, portanto, de vaidade. Fiquei pensando um bom tempo nesse pensamento, pois ele tem diversas consequencias.

Para quem não conhece, em toda a literatura espiritualista e religiosa, principalmente aquelas com uma pegada mais oriental, é muito frequente encontrarmos a questão da ausência do Ego. Para alguns, o mundo material é uma ilusão e nossa própria materialidade é ilusória, pois não existe um "Eu" no universo. Assim, para seguir o caminho da espiritualidade, o indivíduo deve diminuir as aspirações do seu corpo e do seu Eu e se fundir num estado próximo de não-Eu. Para tal, deve ele desenvolver várias virtudes e a ausência de vaidade seria uma delas.

Resultado de imagem para o ego

Em um texto anterior falei sobre o fato de que o conceito de Ego tem diferentes concepções no oriente e no ocidente e o leitor pode conferir este debate aqui: http://evolucaolgbt.blogspot.com.br/2016/07/a-auto-descoberta-busca-do-eu-e-os-lgbts.html. Na minha linha de pensamento, o rosacrucianismo, não é diferente, pois eles seguem essa linha de que o "Eu" material deve dar lugar a um suposto "Eu" espiritual.

Isso posto, o que podemos dizer sobre isso do ponto de vista LGBT?

Resultado de imagem para o ego

Ora, se você buscar igualdade, o fim da discriminação e o direito ao casamento e a uma família é "vaidade" e "Ego", então, por extensão, uma mulher que busca o fim da violência machista e igualdade de salários, um negro que busca o fim do racismo e um judeu que busca o fim do antissemitismo, todas essas questões também seriam vaidade dessas pessoas. Seria o Ego delas agindo?

Ora, por que uma mulher, ao buscar respeito e oportunidades, é "espiritualidade" e os LGBTs, ao buscarem o direito ao casamento, é "vaidade e Ego"?

Resultado de imagem para ausência do Eu

Como vemos, esse papinho de Ego e vaidade é conversa pra boi dormir. É espiritualidade rasteira como forma de legitimação das discriminações, da violência e de perspectivas anti-humanistas.

Se tem uma sugestão que posso dar ao leitor é a de que fiquem atentos a certas narrativas religiosas e espiritualistas. Por trás de boas intensões de "elevação espiritual", existe gente que quer lhe privar do direito mais básico de uma família e de um casamento com discursos bonitinhos.

Resultado de imagem para contra casamento gayResultado de imagem para casamento homoafetivo

A luta LGBT em nada tem a ver com Ego ou vaidade, mas sim com humanismo e harmonia entre as pessoas. Se existe uma questão de Ego e vaidade nesse processo todo é o Ego de alguns heterossexuais que acham que apenas eles têm o direito ao casamento. Isso sim é Ego. O resto, é baboseira. 

E vocês, o que pensam sobre isso?

Amor e Paz

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Olá.
    Primeiramente, gostaria de agradecer pelas reflexões que encontrei aqui neste espaço virtual.
    Algumas vezes pensei que a experiência da humilhação, preconceito e violência contra os LGBTTs poderiam fazê-lo seguir através de pelo menos dois caminhos: aceitar a pecha de "inferiores" e interiorizar estereótipos e práticas masoquistas e autodestrutivas ou usar a experiência justamente para ir além da dualidade inerente ao plano material de manifestação de Energia Cósmica e da Alma, desvencilhando-se do apego à própria personalidade transitória e impermanente. É claro que esses são exemplos que representam dois pólos extremos. Talvez a experiência de sentir-se diferente do que é convencional, cultural e socialmente aceito como "normal" pode ser positiva - no sentido de que dá à pessoa uma visão de certo modo distanciada das crenças alheias e das próprias e uma perspectiva ímpar em relação a si e ao outro, além de contribuir para sua caminhada rumo a planos mais elevados de manifestação - o átmico, por exemplo, no qual a personalidade nem macho nem fêmea existem. Por outro lado, parece-me que o fato de que a posição, a persona, o "papel" de diferente no teatro dramático-cômico da vida pode ensinar algo invulgar à consciência que o experiencia não implica cruzar os braços perante as injustiças sociais. A ideia de reencarnação, mesmo coerente, profunda e conhecida em diferentes lugares do mundo por diferentes povos, parece algumas vezes conduzir à aceitação passiva das desigualdades, por que através dela se explicaria a razão de um estropiado passar frio e fome na praça por que ele "merece" para "queimar" seu carma. Por mais que saibamos que a justiça divina, baseada na causa e no efeito, seja infalível e impessoal e que realmente temos muitas causas plantadas no solo fecundo do carma, isto não me parece plausível para justificar uma postura reacionária perante a dor do outro. A aceitação da Lei e o egoísmo de deixar que o outro sofra, por que "merece", parecem-me coisas distintas. Uma é compreensão do provérbio popular porém exato de que "aqui se faz, aqui se paga". Outra é apropriar-se de modo limitado e materialista o sublime mecanismo da evolução da consciência para justificar a própria zona de conforto e continuar colocando o outro como inferior. Quando vamos realmente entender a Unidade?

    ResponderExcluir