segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O conceito de destino e os LGBTs

O conceito de destino é uma das marcadas de boa parte do pensamento religioso, filosófico, místico e espiritual da humanidade. Não há nenhuma tradição de pensamento que não tenha esbarrado de alguma forma com a ideia de destino. No pensamento islâmico é até muito marcante o conceito teológico de "maktub", que significa "está escrito". Assim, todos os acontecimentos pelos quais as pessoas passam, já estavam "escritos" por Allá.

Igualmente, muitos acreditam que nosso destino já estava marcado desde o momento que nascemos por meio das linhas da nossa mão, por meio dos astros ou do nosso nome. Qualquer pesquisa superficial sobre o tema, podemos encontrá-lo amiúde no pensamento metafísico.



As ciências em geral debocham da ideia filosófica de destino, contudo, elas também têm noções de destino baseadas em crenças, embora nesse caso dispõem de bases mais "reais" do que as influências dos astros. A própria ideia sociológica de que o homem é o fruto de seu meio ou a ideia biomédica de que o homem está marcado pelos seus genes ou pelas características do seu cérebro, também representam, embora em menor medida, uma crença em um destino.

O famoso antropólogo que estuda os mitos, Joseph Campbell, no seu DVD "O Poder do Mito" falou em uma das entrevistas, que quando se vai ficando mais velho e se olha para trás, se percebe que tudo o que você viveu estava encaixado para você; segundo ele, é como se as coisas já tivessem escritas. Trata-se, naturalmente, da perspectiva de um homem em idade avançada que analisava o seu passado e via significado em tudo o que vivera.



A ideia de destino se assenta numa base teológica de que existe uma ou várias entidades espirituais inteligentes e subjacentes ao mundo material e que essas entidades seriam responsáveis por guiar o destino dos seres humanos, que, por sua vez, estariam indelevelmente ligados a esse destino. 

Também destacamos que a ideia de carma muitas vezes entra nessa equação como legitimadora de um destino.

Não é meu objetivo, no âmbito deste texto, elucubrar sobre todos os aspectos que a ideia de destino têm em nossa vida. No entanto, destaco que seus impactos nem sempre são positivos. Se é bem verdade que a ideia de que somos destinados a alguma coisa pode ser positiva e dar significado às nossas vidas, por outro lado, ela pode nos levar a uma não-ação frente ao sofrimento, fazendo-nos acreditar que aquilo é o nosso destino.



Apesar disso, a ideia de destino afeta particularmente aos LGBTs. Quer se acredite ou não na ideia de que somos destinados a essa ou aquela situação, o fato é que nossa condição de minoria sexual é sim uma condição a qual somos destinados. Igualmente, todas as pessoas que não nascem "normais" e apresentam alguma deficiência ou característica que as tornam diferenciadas do comum das pessoas, também estão destinadas a uma determinada existência. 

Do meu ponto de vista, entre a existência ou não do destino, fico com o caminho do meio. A existência das pessoas LGBTs parece indicar que sim, as pessoas nascem de alguma forma destinadas. Isso não quer dizer, no entanto, que elas devam se conformar às vicissitudes do mundo material. Uma das razões que mais motivam a vida é, a meu ver, lutar para minorar as condições adversas que surgem dos fatores negativos a que estamos sujeitos na vida. 



Na prática, isso significa lutar por uma sociedade mais inclusiva para todos aqueles que por alguma razão nasçam com características que lhes prejudiquem a plena integração social. Significa criar cidades acessíveis para deficientes, dar direitos iguais para LGBTs, permitir que mulheres ocupem espaços na sociedade sem ter que viver uma vida como adendo do marido, etc.

E vocês, o que pensam sobre o destino? Qual relação ele têm ou teria com a vida LGBT?

Amor e Paz

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