segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Quem representa as instituições?

Certa vez um leitor do blog escreveu um comentário, em um texto no qual eu criticava uma experiência na Maçonaria, dizendo que um membro não representa a instituição como um todo. Embora eu respeite a opinião do amado leitor, creio que a questão vai um pouco mais longe do que isso.

Tal debate nos leva à problemática do: quem representa as instituições religiosas ou filosóficas que seguimos?



Num primeiro olhar, a resposta pode parecer imediata - quem representa as instituições são os líderes delas, eleitos ou auto-intitulados. Mas e quando esses líderes falham? Como fica? Isso significa que a instituição não presta?


Os fieis ou seguidores dessa religião ou filosofia costumam escapar a esse problema argumentando que os líderes não representam a instituição. Ora, mas esse é um pensamento diametralmente oposto da ideia anterior, de que os líderes representam uma instituição!



Por outro lado, se os líderes não representam a instituição, isso nos traz outra problemática: quem, então, representa? A única coisa que nos sobra é argumentar que os membros representam uma instituição. Afinal de contas, se avalia uma árvore pelos frutos que ela gera. No entanto, isso traz OUTRO problema. E quando esses membros falham? E quando esses membros da Igreja Católica, da Maçonaria ou qualquer outra instituição são verdadeiros bandidos? Isso representa a instituição?

Do ponto de vista prático, acho muito difícil colocar nas costas de uma instituição a inteira responsabilidade pela atitude dos seus membros. Por outro lado, será mesmo que uma instituição não tem nenhuma responsabilidade na atitude dos seus membros?



Analogamente, dizer que o islamismo é responsável por muçulmanos matar homossexuais ou que a Igreja Universal é responsável por membros invadirem terrenos de candomblé, pode parecer exagerado ou preconceituoso.No entanto, será que as instituições não tem NENHUMA responsabilidade na atitude de seus membros?

Tal postura me parece ingênua, infantil e imatura.

Quem me mandou este texto é uma pessoa muito especial para mim, uma ...

Do meu ponto de vista, há de haver um equilíbrio nessa análise. Tanto os líderes quanto os membros de uma instituição são representantes dela em maior ou em menor grau. Até porque qualquer instituição religiosa ou filosófica que se frequente, não tem uma existência independentemente dos seres humanos. Antes, ela é o resultado da atuação de seus membros e de seus líderes conjuntamente, sendo que as pessoas que ocupam diferentes cargos em uma determinada instituição possui diferentes graus de responsabilidades e campos de atuação.

Assim, quando um líder ou um membro de uma organização ou instituição comete uma atitude terrível, me parece meio canalha livrar a cara da organização. No entanto, também não é possível afirmar que ela, por si só, seja responsável por tais atitudes. Parece complicado, né? E é mesmo!

papa ratzinger | massimopreti.it

Do meu ponto de vista, tenho uma resposta pra isso. A meu ver, do ponto de vista espiritual, quem representa uma instituição são principalmente as ideias em seu cerne. Em outras palavras, são as ideias que ela gera e não exatamente as pessoas, que representam uma instituição. Pessoas são capazes de qualquer coisa em qualquer lugar. O que vai condicionar as ações de uns e de outros são as ideias que cada um traz no seio de sua consciência. E nisso as instituições são mais ou menos responsáveis.

É isso, aliás, que faz o budismo tibetano ser bem diferente da Igreja Universal do Reino de Deus - a diferença nas ideias.



E vocês, o que pensam sobre isso?

Amor e Paz

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