quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A construção de um sistema de pensamento e os LGBTs

Vejo muita gente por aí dizendo que a Igreja Católica tem que mudar, que as religiões têm que mudar e que as instituições tem que se transformar. Embora seja inegável que as instituições tenham que mudar em várias coisas, há de se ter certa ponderação sobre esse raciocínio. Algumas linhas de pensamento religiosas, místicas, esotéricas e filosóficas levaram décadas, séculos, milênios para serem construídas. É muita ingenuidade achar que da noite para o dia elas "têm" que mudar apenas para acomodar os LGBTs. 

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Tudo no universo muda. Às vezes em ritmo mais lento, mas muda. E com as instituições não é diferente. No entanto, muito da filosofia/ teologia LGBTfóbica foi construída ao longo de milênios e não dá para as coisas mudarem de repente. Mas mais do que criticar as instituições, o que quero é chamar a atenção dos LGBTs. Quero chamar-lhes a atenção para o fato de que se queremos que as instituições mudem e deixem de ser homofóbicas, antes precisamos saber no que queremos exatamente que elas mudem. Nós PRECISAMOS saber onde queremos chegar.

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No Catolicismo, por exemplo, ele além de não-aceitar a homossexualidade, defende que toda relação sexual se dê apenas no casamento. O que querem os homossexuais? Querem que o casamento se estenda às uniões homoafetivas para que eles possam fazer sexo com seu companheiro? Ou querem que o catolicismo respaldem suas vidas de sexo com qualquer um, desenfreado, sempre procurando o prazer? Não há nada de errado querer que o catolicismo defenda esta última postura, afinal de contas, o prazer é sagrado e não há nada de errado com ele. Mas perceba o leitor que neste caso são duas reivindicações completamente diferentes.

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Este é apenas um exemplo dessa divergência de reivindicações. Muitas religiões e filosofias de vida têm posturas bastante restritivas com relação ao sexo heterossexual e por mais homofóbicas que elas sejam, eu duvido muito que os LGBTs queiram sobre suas cabeças as mesmas restrições que são impostas aos heterossexuais. Na verdade essa marginalização da diversidade sexual de sistemas religiosos de pensamento por pior que seja, tem um outro lado delicioso: lhes concede uma maior liberdade de explorar seu corpo. Ao mesmo tempo em que a maioria dos homossexuais defende uma inclusão dos LGBTs na Igreja Católica, duvido muito que alguns deles vão querer se adaptar a fazer sexo só depois do casamento. 

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Assim, acho que a inclusão dos LGBTs passa também por um debate interno sobre quais são os significados do casamento homoafetivo, seu simbolismo, seu papel social. Passa por um debate sobre que tipo de vida nós queremos realmente levar, sem ambiguidades, sobre que tipo de moral nós queremos seguir. Passa por debater as questões teológicas e filosóficas colocadas pelas religiões e articular estes conceitos metafísicos com a realidade LGBT, apresentando o nosso ponto de vista. 

Claro que nunca vamos chegar a um consenso final, afinal, nem as próprias religiões heteronormativas chegaram a esse consenso final sobre sua filosofia. Mas há certas noções que são mais ou menos acordadas.

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Humildemente eu penso que nós LGBTs, devemos debater as questões que nos concernem e apresentar às pessoas as ideias que queremos que elas mudem na forma de proposta e sugestão, esperando que as ideias frutifiquem. Talvez o fruto do nosso trabalho transcenda a nossa própria vida física, afinal, mudanças são lentas. É verdade que muita coisa é feita no âmbito das universidades, mas ainda assim, creio que devemos nos esforçar para construir um sistema de pensamento que dialogue com religiões, filosofias, teologia e instituições.

E vocês, o que pensam sobre isso?

Amor e Paz

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