sábado, 12 de novembro de 2016

O papel das elites na sociedade

O grande sonho político e social de muitas da esquerda é que todas as pessoas tenham o mesmo grau de instrução política, sejam adequadamente informadas sobre absolutamente TODOS os assuntos sociais e que, assim, possam eleger políticos adequados. 

Embora durante muito tempo eu tenha acreditado nisso, hoje eu vejo que este sonho esquerdista é absolutamente falso e irreal. Isso porque a própria divisão social do trabalho e as individualidades de cada um dificultam a empreitada. 

Resultado de imagem para democracia

Se um governo, por exemplo, quiser instalar uma usina nuclear para gerar energia elétrica, a população deve se manifestar favorável ou contrariamente a este empreendimento. Provavelmente haverá muitas manifestações em contrário, na medida em que tudo o que é nuclear, é "ruim" (de acordo com a sabedoria popular).

No entanto, até que ponto a energia nuclear não é mais segura, mais econômica e menos poluente do que as outras formas de energia? Nesse sentido, muitas vezes um conhecimento técnico pode dar respostas mais precisas para determinadas realidades. E a maior parte da população não tem um conhecimento técnico preciso para cotejar adequadamente as vantagens da energia nuclear frente a outras formas de geração de energia.

Resultado de imagem para democracia

Citei o exemplo das usinas nucleares apenas de forma representativa, mas poderia citar vários outros exemplos do burburinho que massas ignorantes (no melhor sentido deste termo) sobre determinado tema podem fazer, limando certas atitudes políticas mais técnicas e mais acertadas.

Por mais esclarecida que uma pessoa possa ser, ninguém NUNCA será esclarecido sobre todos os temas da vida. Assim, por mais que você seja formado em História e Ciências Sociais, sempre será um ignorante em Economia. Por mais que você seja um excelente economista, muitas vezes será um ignorante em Física e Química e não estará apto a opinar sobre o Programa Espacial Brasileiro.

Resultado de imagem para ignorancia

Isso mostra que por mais que nos consideramos inteligentes, socialmente críticos, ou não alienados, é sempre bom baixar um pouco a bola porque nunca somos bom o suficiente para opinar em todos os assuntos.

Tempos atrás eu aventei a ideia de que as eleições democráticas deveriam criar mecanismos para impedir a ingerência das massas sobre determinados assuntos e pensei que uma possibilidade seria que o voto teria peso de acordo com o nível de formação escolar da pessoa - Ensino Fundamental, Médio, Superior, Pós-Graduação, Mestrado, Doutorado - dariam diferentes pesos aos votos. 

Resultado de imagem para pesos balança

Depois de um tempo analisando a ideia, me arrependi, pois eu estava defendendo uma "discriminação" com base na formação escolar da pessoa. Qual não foi minha surpresa hoje, ao ler no site da Folha, que estão discutindo a questão da democracia popular. O texto pode ser conferido no link http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2016/11/1831729-o-regime-do-erro.shtml. Jason Brennan defende uma revisão geral da democracia e uma adoção da epistocracia e dá o exemplo do Brexit e da eleição de Trump, duas decisões errôneas adotadas pelas massas. Neste exemplo, decisões importantes seriam tomadas por quem tem conhecimento técnico necessário. 

Helio Schwartzman, também da Folha, dialoga com as ideias do autor. Podem conferir no link http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2016/11/1831729-o-regime-do-erro.shtml

Resultado de imagem para elite

Durante muito tempo a retórica da esquerda era demonizar a elite e defender o povo. A elite era maligna e excludente e o povo era uma pobre vítima inocente. Não posso negar que há muita gente na elite que vilaniza e explora os mais fracos, mas, francamente, dizer que opressão e discriminação são apanágios da elite, é intelectualmente desonesto. Haja vista que quem mais é contra o casamento homoafetivo são as pessoas pobres e de menor instrução. Passe um tempo na favela e você verá que opressão, discriminação e exploração dos outros é condição humana e não característica de classe social.

A elite econômica e intelectual é também a força produtiva de uma sociedade. É dali que saem produtos, ideias e pensamentos que podem melhorar substancialmente a vida (embora nem sempre isso seja verdade). O financiamento dos mecenas italianos criou as maiores obras de arte do Ocidente. Igualmente, é a elite quem cria vários produtos que usamos cotidianamente que facilitam a nossa vida, inclusive esse computador que está na sua frente agora. 

Resultado de imagem para ideias

Não quero, contudo, idealizar a elite ou as classes menos estudadas. Muito pelo contrário. No entanto, é inegável que foi a elite quem ajudou muito a vida dos LGBTs. As novelas da Globo, o STF, o posicionamento dos artistas e muita gente bem posicionada na sociedade contribuíram para a abertura social aos LGBTs. 

Acho que está na hora de revermos essa vilanização das elites e chamá-las a cumprir um certo papel social, criticando-a onde deve ser criticada e sem idealizá-la. E isso pode implicar até mesmo numa revisão da democracia tal qual a conhecemos. Aliás, a democracia pode funcionar muito bem em Estados-nação pequenos. Num mundo com uma população crescente e multicultural e exposta constantemente às inverdades e desinformação das redes sociais, acho que fazer uma democracia que funcione bem se torna cada vez mais desafiador.

Resultado de imagem para black blocs

Esperar que todo mundo atinja um nível "crítico de consciência social" acho um tanto utópico. Acho que o futuro será uma revisão da estrutura política tal qual a conhecemos. Do contrário, seremos engolidos pelas redes sociais e seu mar de ignorância. Não significa, no entanto, que as decisões tomadas por técnicos especializados sejam também as mais corretas. Mas em termos estatísticos, é muito mais fácil as massas estarem erradas do que quem estuda sobre um assunto a vida inteira.

Sugiro que leiam o pensamento do jornalista da Folha e dialoguem com ele. A vida dos LGBTs sob uma tirania das massas pode ser terrivelmente sombria. Essas bandeiras de certos setores políticos de "vontade popular", "soberania popular" me dá arrepios. Ainda que a elite não seja perfeita, sob o domínio absoluto da "vontade popular", LGBTs poderiam ser massacrados, como já o foram diversas vezes.

As elites, por muitas vezes terem mais educação, conseguem, na média, ponderar melhor o pensamento. Elas também possuem uma especialização de pensamento muito maior. E isso representa um contrapeso ao raciocínio dedutivo que é inerente ao comum das pessoas. Ainda que haja exceções aqui e ali, há de se considerar que as exceções apenas confirmam a regra.

Resultado de imagem para gay russian violence

E vocês, o que pensam sobre isso? Quer concordem ou discordem das ideias aqui postadas, pretendo apenas propor um diálogo.

Amor e Paz

Nenhum comentário:

Postar um comentário