quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A noção de Verdade e os limites da língua pátria

Durante minha faculdade, as leituras de Foucault me fizeram entender que a linguagem é uma relação de poder. Por meio da linguagem, posições são marcadas na sociedade, definindo sua hierarquia social. Com base nos estudos de Foucault, há uma toda uma militância pós-moderna que, imbuídos de boas intenções, querem mudar a linguagem para assim, mudar a sociedade. Dessa forma, eles buscam limar da sociedade termos machistas, LGBTfóbicos ou racistas.

Resultado de imagem para foucault

Apesar de considerar tal atitude em algum grau, louvável, tenho minhas dúvidas se apenas se mudando a linguagem, as relações de poder na sociedade irão mudar. Duvido que patrulhar ideológica sobre termos tenham mais efeitos do que um debate sincero com as pessoas envolvidas. Assim, não sei se apenas impedir as pessoas de falarem "neguinho, judiar, viado, o travesti, o homem (se referindo a todos os seres-humanos), filho da puta etc"resolve as questões. Até porque essas palavras representam uma herança histórica e não é da noite pro dia que se acaba com isso. Além disso, toda a sociedade têm seus julgamentos e seus xingamentos e creio ser difícil pedir para que uma pessoa xingue de forma racional e politicamente correta; afinal, o xingamento é justamente a suspensão dos julgamentos. 

Resultado de imagem para xingar

Mas tirando estas questões foucaultianas e pós-modernas, quero chamar a atenção para um problema filosófico - os limites da nossa língua pátria e como ela afeta a nossa noção de Verdade.

É bem sabido que em várias línguas existem palavras que não existem em outras. Isso nos coloca uma questão filosófica de considerável envergadura. Será, então, que as noções que temos sobre a "Verdade" estarão sempre sujeitas à nossa língua?

Resultado de imagem para saussureResultado de imagem para platão

Do ponto de vista LGBT, isso nos atinge de muitas formas. Em grego antigo, por exemplo, há terminações para expressar o masculino, o feminino, o neutro e o dual. Como uma pessoa trans pode viver numa língua que só admite o masculino e o feminino? E se designássemos as pessoas trans por terminações intermediárias?

Estas e outras questões são muito interessantes de serem pensadas. Assim, fica o convite ao leitor: como poderíamos criar uma linguagem mais inclusiva? Como será a língua daqui a quatro mil anos? Será que teremos novas noções filosóficas que hoje não conseguimos enxergar?

Resultado de imagem para justiça cega

O que vocês pensam sobre isso? Pensem e saiam da caixinha!

Amor e Paz

Nenhum comentário:

Postar um comentário