quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A repressão sexual e o florescer de uma sociedade

Por mais idiotas que sejam os argumentos dos religiosos fanáticos e dos facistas, às vezes é necessário se apropriar deles e debatê-los. Um desses argumentos é que a repressão do desejo sexual está de alguma forma alinhada ao desenvolvimento do indivíduo e de uma sociedade de maneira geral.

Até no esoterismo e no misticismo encontramos ecos desse pensamento. Em muitas correntes místicas espera-se que o indivíduo entre em um período de jejum alimentar e sexual. A base dessa ideia é de que somente quando a pessoa possa dominar seus instintos materiais é que ela pode se voltar para a espiritualidade. 

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Ecos desse pensamento se encontram no período islâmico do Ramadã, no qual espera-se que o fiel entre em jejum do nascer até o por do sol. Freud também flertou com esse pensamento, quando abordou a ideia de que a repressão sexual durante um período da juventude serviria para que o indivíduo estudasse e "crescesse" para posteriormente explorá-la na idade adulta. 

O fato é que culturalmente a mentalidade judaico-cristã associa a repressão sexual a algo positivo. E usam esse argumento associando o desenvolvimento das sociedades de base judaico-cristã com a cultura sexual que foi criada. Falam que outras sociedades baseadas em promiscuidade e liberdade sexual nunca se desenvolveram e nunca se expandiram. E daí eu pergunto: isso é verdade?

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Em primeiro lugar, é muito difícil estabelecer uma correlação precisa entre repressão e liberdade sexual e desenvolvimento econômico e político. É bem verdade que as sociedades de cultura judaico-cristã hoje em dia se encontram na ponta do desenvolvimento tecnológico e econômico da humanidade. No entanto, isso aconteceu graças a milhares de fatores históricos, a começar pelo Renascimento no século XVI, passando pela Revolução Científica do século XVII e pelo Iluminismo do século XVIII. Até que ponto esses fatos históricos estão associados à cultura sexual cristã? É muito difícil estabelecer uma correlação precisa entre essas coisas, sendo tal ideia muito próxima de uma crendice retórica. 

Em segundo lugar, o mundo árabe medieval era menos repressivo sexualmente e isso não impediu um desenvolvimento filosófico, político e econômico sem precedentes no passado. Ou seja, existe mesmo essa relação entre repressão da sexualidade e desenvolvimento? Difícil dizer.

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No entanto, há de se fazer certas ponderações a isso. Há uma diferença entre repressão sexual e certa ponderação em nossos apetites. Individualmente é inegável que uma pessoa que gira em torno do sexo e vive em busca do prazer, tem dificuldade em canalizar suas energias para outras coisas mais produtivas. O vício suga a nossa alma de muitas formas e como todo mundo gosta de sexo, é inegável que existe uma possibilidade muito grande de sempre sermos tragados pelo prazer sexual e negligenciarmos outras áreas de nossas vidas. 

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Mas se é verdade que um extremo pode não ser saudável, o outro também pode não o ser. O físico Newton, uma das mentes mais brilhantes dos últimos séculos, nos deu grandes contribuições neste campo e era completamente assexual. Trata-se de uma característica individual e é extremamente perigoso associar o brilhantismo intelectual acadêmico a jejuns sexuais ou a assexualidade. 

Se a extrema sexualidade ou a ausência de sexualidade podem ser deletérios para o indivíduo, também não o seria para o conjunto da sociedade? 

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Assim, parece razoável supor que o modo que uma sociedade lida com os prazeres sexuais sob a forma das diferentes culturas, têm alguma influência sobre os espíritos individuais e sobre a capacidade de produção da coletividade. Mas é bem difícil associar e descobrir as causas e os efeitos precisos (mesmo considerando que uma coisa pode influenciar a outra em algum grau).

Mesmo assim, considero que devemos ter extremo cuidado com esse argumento porque ele pode ser muito falacioso. Países como Afeganistão ou Somália vivem sob a mais intensa repressão sexual e são países pouco desenvolvidos em todos os aspectos. Já países como Austrália e Inglaterra tem muito mais liberdade sexual e estão na ponta do desenvolvimento econômico e tecnológico. Ou seja, por maior que seja a influência da liberdade ou repressão sexual sobre o "geist" (espírito) de uma nação, é difícil dizer que uma coisa está associada a outra.

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E vocês, o que têm a dizer sobre isso?

Amor e Paz

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