segunda-feira, 28 de novembro de 2016

É possível uma espiritualidade sem Deus? - o nascimento de uma nova religião

O conceito de Deus é, a meu ver, uma pedra no sapato de muitos LGBTs. Por mais que se queira ter fé, o conceito de Deus já é tão saturado na vida das minorias sexuais, que muitos deles preferem adotar o ateísmo. É tanta gente usando o conceito de Deus para destruir a vida dos LGBTs, que muitos preferem desistir de tentar acreditar.

Na verdade, eu admiro demais os LGBTs que são evangélicos, muçulmanos, judeus etc. Realmente é de se admirar como eles ainda mantém sua fé mesmo num ambiente tão hostil. 

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Pessoalmente, demorei bastante tempo para perceber que esse Deus que apresentam por aí não incomodava apenas os LGBTs, mas também a muitos heterossexuais, por incrível que pareça. Mas, naturalmente, este Deus incomoda os heterossexuais não pela vida da sexualidade, mas sim porque é vingativo, carniceiro, precisa de dízimo, está em instituições corruptas etc. Muitos heterossexuais também criticam essa visão do divino.

Mesmo considerando esses elementos, uma das coisas que mais me assusta quando o assunto é Deus, é a naturalização deste conceito quando abordamos a espiritualidade. É praticamente onipresente a ideia de que para se ter qualquer verve espiritual, é necessário se acreditar em Deus. 

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Por mais chocante que isso possa ser, a ideia de "Deus" indicando o Deus único das religiões semitas, é apenas um conceito semita. Sim, Deus é um conceito; uma ideia-força. Quando evocamos este conceito, direcionamos nosso pensamento para os mistérios da vida, para o mundo sobrenatural, para o bem-viver e a fortuna (no sentido latino do termo) e também para uma boa morte. Deus é uma chave mental que faz a consciência tangenciar o mistério do Existir. Mas eu pergunto: será que o conceito de Deus é a única forma de se chegar nesse mistério? Será que para existir um mundo espiritual ou a alma, tem necessariamente que existir esse conceito "Deus"? Se não, que outra forma de pensar, metafisicamente, poderia estar associada ao plano da alma?

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Não acho que a crença ou não crença em Deus denote uma verdadeira espiritualidade. Há pessoas ateias ou não-crentes que são muito mais espiritualizadas do que qualquer crente. Mas, de qualquer modo, creio no velho adágio de que Deus só se discute em três. Muita gente falando de um conceito tão figadal, geralmente dá confusão. Numa conversa em três, há um equilíbrio de forças bastante adequado para a troca e o diálogo, a meu ver, é claro. 

Certas correntes místicas afirmam que no futuro surgirá uma nova religião que englobe toda a humanidade. Como poderia ser essa nova religião? Você consegue fazer alguma ideia? Que papel os LGBTs teriam nela?

De qualquer forma, humildemente penso que o conceito de Deus está ficando cada vez mais saturado. A proporção de ateus no mundo cresce bastante. 

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Luiz Felipe Pondé, o novo guru da direita brasileira, afirma que o problema das pessoas que não acreditam em Deus, é que elas passam a acreditar em qualquer coisa. Assim, quem não acredita em Deus, chora de emoção porque viemos das estrelas. Ele também fala que o conceito de Deus é para quem tem músculos intelectuais, pois até um golfinho pode ser ateu. Já a ideia de Deus demanda reflexões poderosas.

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Eu respeito o Pondé, mas discordando um pouco dele, se quem não acredita em Deus, crê em qualquer coisa, quem acredita em Deus também acredita em qualquer coisa - inclusive que homossexuais provocam terremotos! E, se é bem verdade que a crença em Deus exige músculos intelectuais, a não-crença em Deus exige músculos mais fortes ainda, além de uma postura emocional e psicológica bastante contundente para se colocar contra a corrente.

E vocês, qual a relação que vocês têm com Deus? Creem que é possível uma espiritualidade sem Deus?

Amor e Paz



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