segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O olhar em 1ª e em 3ª pessoa e o conceito de "sistemas de pensamento"

Durante algum tempo da minha vida, acreditei que as pessoas nasciam pobres, ou de uma determinada forma por causa do carma de alguma outra vida. Na minha adolescência, essa era a "explicação" para as mazelas do mundo. No entanto, ao ingressar na faculdade, vi que a explicação para a pobreza no mundo não estava no "carma", mas na escravidão, no neoliberalismo, no imperialismo, no racismo, na burguesia, nos portugueses, na Princesa Isabel etc.

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Num processo de curto prazo, deixei totalmente de lado as explicações espirituais para o pobreza e passei a ter explicações racionais e científicas para ela. 

Depois de um tempo, quando comecei a trabalhar, passei a ter diversas experiências onde vi pessoas que, com um talento especial, um golpe de sorte ou por puro esforço, sairam da pobreza por mérito. Passei a acreditar que riqueza e pobreza não eram só fruto da História ou do carma, mas também tinham algo de meritório. Foi então que vi pessoas criticando isso, acusando a meritocracia de mentirosa e desigual e que não existe mérito, sendo que riqueza e pobreza eram culpa do sistema.

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Esse discurso também me comprou. Assim, num período de 10 anos, me vi confrontado com quatro explicações possíveis para a riqueza e a pobreza. Mas estes temas eram só um dentre uma infinidade de outros assuntos com os quais eu era confrontado com inúmeras explicações.

Ora, se havia tantas explicações possíveis para os fenômenos da Vida, onde estaria a "Verdade"? Foi então que foi desenvolvendo em mim o conceito de "sistemas de pensamento". Cada explicação que eu recebia para a morte de bebês, para a pobreza, para a separação dos casais, para as origens das doenças, cada uma delas representava um sistema de pensamento

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Assim eu deixei de procurar uma crença, ou seja, viver um sistema de pensamento em primeira pessoa, estando dentro dele, e passei a ver tais sistemas de pensamentos, ideias e crenças, em terceira pessoa. Em outras palavras, passei a cotejar diferentes explicações e diferentes formas de pensar foa deles, para finalmente compreender a pluralidade de ideias que habitam nos seres humanos.

Isso, naturalmente, tem dois lados. Quando se olha tudo em terceira pessoa, ou seja, de fora, você nunca entra em lugar algum. Em outras palavras, quem acredita em "tudo", não acredita em nada. Assim, quando analiso "Deus", analiso o "conceito de Deus", suas diferentes interpretações, onde ele surgiu, o que se faz em nome desse conceito, mas não entro no conceito; ou melhor, ele não entra em mim. 

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Igualmente, quando analiso a pobreza, analiso os conceitos de meritocracia, de carma, escravidão, de esforço individual etc sempre como possíveis explicações dentro de vários sistemas de pensamento. 

Isso é ruim, por um lado, mas também nos dá uma visão ampla das coisas. Quando você começa a entender que as diferentes crenças, ideias, conceitos, explicações e noções constituem apenas formas de se entender o mundo, é bem verdade que você entra num não lugar, olhando tudo em terceira pessoa. Mas por outro lado, você começa a perceber que no fundo, cada um destes sistemas de pensamento, podem conter um pouquinho da Verdade e essa tal Verdade é um mosaico que comporta diferentes pontos de vista.

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Não sei onde vou chegar com essa forma de pensar, mas acredito que quando se "sai" da posição de primeira pessoa, ou seja, quando você sai daquela posição de estar dentro de uma crença e se coloca em terceira pessoa, ou seja, fora, você acaba por construir uma dimensão muito mais ampliada das suas crenças e, num dia talvez, pode voltar a "entrar" nas crenças com uma certeza muito mais profunda.

Do ponto de vista LGBT, às vezes é extremamente importante "sair" da crença e vê-la em terceira pessoa para que nos munamos de argumentos e ideias outras e possamos nos defender. O difícil, talvez, é voltar a sentir uma crença, uma ideia ou uma explicação em primeira pessoa.

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Essa, aliás, talvez seja a principal diferença entre os intelectuais e as pessoas de fé ou os artistas. Enquanto que aqueles analisam o "cristianismo" ou o "surrealismo", estes, sentem a "fé em Deus" ou produzem obras surrealistas. Essa é a principal diferença entre estar fora ou dentro de um sistema de pensamento.

Penso, no entanto, que uma vida equilibrada deve sempre buscar o meio termo. É importante analisarmos as coisas de "fora" e com um olhar crítico, mas também é bem importante, a meu ver, vivenciarmos e sentirmos uma ideia ou um sistema de pensamento. Dessa forma, aquecemos tanto o cérebro quanto o coração (embora nesse caminho, não haja receitas de bolo!). Trata-se, portanto, do velho equilíbrio entre fé e razão.

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O que vocês pensam sobre isso?

Amor e Paz

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