sábado, 26 de novembro de 2016

Os animais e os LGBTs

Os animais na espiritualidade sempre foram uma questão muito particular. Os romanos consideravam que os animais não tinham alma. Alguns budistas consideram que a alma humana pode reencarnar num animal e, portanto, uma formiga ao seu lado pode ter sido a sua avó, num processo conhecido por metempsicose. Os católicos acreditam que quando morrem, a existência dos animais acaba e apenas os seres humanos é que têm uma alma. Já os kardecistas e os rosacruzes acreditam que os animais possuem uma alma coletiva que evoluem em direção ao reino humano.

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Seja qual for a corrente que se adote, o fato é que ninguém sabe nem o que acontece com a gente depois da morte, quiça com os animais! Menos ainda com as plantas e com as bactérias. Não me parece ter surgido ainda um pensamento teológico que articulasse todas as formas de vida com noções metafísicas de alma e reencarnação. Dizer que o nosso cachorrinho de estimação pode reencarnar, é clichê... Mas o que dizer das trilhares de bactérias que residem no subssolo terrestre? Se cachorros fofinhos vão pro céu, pra onde vão os mosquitos?

Por mais argumentos que se tenha, não creio haver um pensamento teológico pra incluir os animais. Até sou simpático à ideia de que animais têm alma e essa alma pode evoluir, mas acho tudo muito especulativo.

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De qualquer forma, gostaria de chamar a atenção para um fato específico - o da relação dos LGBTs com os animais.

Uma vez eu estava numa aula de inglês, ainda adolescente e todos deveriam escolher um animal num pedaço de papel e os colegas deveriam adivinhar qual animal eles escolheram. Um colega de nome César (até hoje me lembro!) escolheu borboleta e todos fizeram escarnearam dele, pois era coisa de gay. Fiquei me perguntando "por que borboletas são coisa de gay?".

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O fato é que, seja lá o que exista de espiritual nos animais, nossos rituais sociais ainda levam muito em consideração os animais. 

Pela História, muitas tribos primitivas faziam rituais cujos participantes se fantasiavam de animais para obter seus "poderes", fazendo uma forma de magia por contato. Entre os egípcios, alguns animais eram divinizados e haviam divindades antropozoomórficas, ou seja, que tinham formas de homem e de animal.

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Parece que, no campo da espiritualidade, foram os gregos quem tiraram os animais da jogada, na medida em que os deuses helênicos foram os primeiros a terem formas exclusivamente humanas, bem como sentimentos a eles associados. Essa visão certamente influenciou o Cristianismo e nossa imagem de Deus na cultura cristã é bem próxima a de um velho barbudo.

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O culto aos animais pode não mais existir da forma que existia antigamente. No entanto, alguma forma desses cultos ainda existem entre nós, sendo muito próximo de certos tipos de magia, embora de forma totalmente ressignificada. 

Os animais ainda hoje são usados para demarcar posições na hierarquia social. Mulher galinha e piranha, é mulher suja. Homem galinha, é o fodão. Homem cavalo é uma coisa; homem veado é outra coisa.

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Animais também são usados para simbolizar e dar força a determinado grupo, principalmente a grupos ligados ao esporte, onde os instintos mais primitivos dos seres humanos, ligados à conquista, derrota, guerra, dominação e poder, estão presentes, mas de uma forma civilizada e imensamente menos violenta do que nas guerras tribais do passado. Alguém aí já ouviu falar no Chicago Bulls (os touros de Chicago!)? E o que dizer dos Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do Corinthians? E o que dizer do urubu como mascote do Flamengo? Já ouviram também a igreja Leões da tribo de Judá? 

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Há até animais que são usados sob o aspecto comercial, como no produto redbull, que evoca uma ideia de força, energia e virilidade. E o que dizer do carro Jaguar?

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Estes animais associados a grupos frequentemente invocam algum tipo de "poder" associado a estes animais. Assim, o leão, o touro, o tigre, o jaguar, o gavião, a águia etc. Será que algum dia nossos sucessores nos verão da mesma forma como olhamos para os rituais das tribos primitivas? 

Seja como for, a relação com os animais na cultura espiritual/ mental da humanidade é muito mais profunda do que imaginamos. 

Do ponto de vista LGBT, cabe a pergunta: você se identifica com algum tipo de animal? Você se identifica com um animal mais agressivo ou se identifica com algum animal mais frágil, porém belo e delicado, como borboletas, joaninhas, veados etc? Acredito que, por mais bobo que seja esse debate, a resposta a essa pergunta pode refletir em muito a psique mais profunda de muitas pessoas LGBTs. A transformação da lagarta em borboleta, inclusive, possui um forte simbolismo do processo de sair do armário.

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E vocês, o que têm a dizer sobre isso? Vocês se identificam com algum tipo de animal? O que esse animal pode indicar sobre sua personalidade? Acredita que sua orientação afetivossexual de alguma forma está associada a essa identificação? O que acham?

Amor e Paz

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