sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Um olhar espiritual sobre a militância LGBT

Quando falamos em militância LGBT, quase sempre vem à nossa cabeça militantes aguerridos ligados à partidos políticos de esquerda, ou uma galera desconstruidex, com liberdade individual, que nunca forma relacionamento fixo com alguém e que frequentam baladinhas descoladex e arranjando bofes de aplicativo em aplicativo, típicos moradores de Botafogo. 

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Já quando falamos em espiritualidade, nos vêm muitas coisas à cabeça. Pode nos vir à mente um monge, uma freira, um pastor, um hare krishna ou até mesmo aquele pessoal que mora na Zona Sul do Rio de Janeiro, que "respeita todas as religiões", que não pertence a nenhuma delas, mas a todas elas ao mesmo tempo. É aquela mulher de formação católica, que acende vela pro orixá e tem um quadro de Krishna no quarto e um Buda de souvenir comprado na Índia. Na verdade o conceito de "espiritualidade" é tão amplo que fica difícil definir fronteiras entre o que é o que não é espiritualidade.

Já quando falamos em "militância espiritual", logo nos vêm à cabeça missionários de igrejas evangélicas que ficam pregando (reparem como esse termo é agressivo!) na cabeça das pessoas e evangelizando os outros praticamente à força. 

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Apesar do caráter exótico dessas figuras, há outro tipo de ativismo espiritual que eu gostaria de abordar. E mais ainda, gostaria de associá-lo à causa LGBT. 

Certa vez li em um texto rosacruz muito antigo, o qual os novos membros nem sequer mais tem acesso, que dizia que conforme o rosacruz avança nos seus estudos, ele se tornará um militante. Mas não um militante qualquer. Trata-se de uma militância espiritual muito profunda.

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Embora hoje em dia eu tenha críticas ao conceito de "evolução espiritual" por considerá-lo vago e com uma verve política (quem define o que é "evolução"? Homens brancos, heterossexuais de classe média?), ainda assim é possível considerar que realmente existe uma evolução mental nos seres humanos. E o que seria essa evolução? 

Embora isso seja motivo de infindáveis discussões filosóficas, creio que  evolução se dá principalmente por meio da expansão da nossa mente e dos nossos sentimentos. Parece-me que o conhecimento (tanto acadêmico quanto espiritual) associado ao desenvolvimento da inteligência emocional (a capacidade de ter empatia) é um dos baluartes para o desenvolvimento espiritual do indivíduo.

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É inegável que uma pessoa LGBTfóbica quase sempre tem a mente mais fechada e o contato com LGBTs pode torná-la uma pessoa mais aberta, mais humana e mais empática. 

Assim, creio que existe uma militância espiritual no mundo LGBT e esta se trata de tornar as pessoas mais sensíveis às diferenças, menos intransigentes. Fazer elas olhar para os outros de igual para igual. E isso implica incessante trabalho e diálogo.

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Militância espiritual não é, de forma alguma, resgatar o aspecto bélico do termo "militia". Mas sim, olhar este termo sob um viés da espiritualidade, um viés que enseja o diálogo, a compreensão mútuas e a expansão da consciência. 

A militância também é frequentemente chamada de ativismo. E o ativismo LGBT é também fruto de deboche. As pessoas dizem "esse daí é o ativista". Não se iludam. Por trás desse deboche existe uma ideologia que espera que você seja um "passivista" LGBT, ou seja, uma pessoa que não faça nada perantes as injustiças e violências do mundo. 

Essa galhofa do ativismo LGBT, esperando que as pessoas atuem sob o passivismo, nada mais é do que uma tentativa de silenciamento sobre nossas existências. É aquelas pessoas que esperam que o LGBT faça sexo entre quatro paredes e ninguém tenha nada a ver com isso. Felizmente, e já está claro pra mim, que nossa vida não se resume a quatro paredes. Antes de mais nada ser LGBT é ser um ser social, com família, relacionamentos e uma vida aberta, realizada e feliz. Resistam às tentativas de silenciamento por parte dos críticos do "ativismo" ou da "militância" LGBT.

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Por fim, creio que exista sim uma militância espiritual no que se refere ao universo LGBT, entendendo espiritual por "expansão da consciência".

E vocês, o que pensam sobre isso?

Amor e Paz

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Eu sempre acreditei que toda militância de qualquer movimento social (LGBT, negro, feminista etc) colabora com a evolução espiritual. Nós, militantes, estamos justamente procurando tornar o mundo melhor, só que no aspecto social. Queremos igualdade e respeito com todas as diferenças, e a Terra precisa disso, entre outras coisas. E a militância também nos ensina; quando nos desconstruímos, aprendemos a enxergar de forma mais ampla nossa realidade. Enfim, acredito que tudo que nos faça melhorar como gente ou faça melhorar a sociedade conta como evolução do nosso espírito (afinal, nos planos superiores esses preconceitos nem existem!).
    Adorei esse blog, muito bom!!!
    Abs

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