sábado, 12 de novembro de 2016

Uma ponderação sobre o politicamente correto

Muitos dizem que o politicamente incorreto não passa de um grande mimimi. Os facistas e os insensíveis falam isso amiúde. Não acho, absolutamente, que seja mimimi. Só quem vive a condição de negro, mulher e LGBT é que pode efetivamente dizer onde o calo aperta. O politicamente correto é uma forma de civilidade, de incluir as pessoas e de reorganização do pensamento.

Apesar de tudo, isso não significa que não podemos tecer considerações sobre o tom que muitas pessoas têm dado à aplicação do politicamente correto no cotidiano. Nos Estados Unidos, a peça "Monólogos da Vagina" que falava sobre a condição da mulher, foi cancelada em uma universidade porque poderia ser ofensiva aos homens trans. No Brasil outra peça de teatro que abordava de forma crítica o racismo foi censurada só porque havia blackface (atores que pintam o rosto de negro) e graças à pressão de grupos ativistas. Já vi até gente dizendo que as embalagens de absorvente feminino deveriam conter somente a expressão "absorvente" para não ofender homens trans, que têm vagina mas não são mulheres.

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O apresentador Fausto Silva disse recentemente que tem mulher que gosta de apanhar. O movimento feminista quer retratação pública. Ora, eu mesmo já vi mulheres que gostam mesmo de apanhar. Inclusive se o homem não se porta como "homem", elas acham ele frouxo. Já vi mulheres que, casadas com policiais, só tinham tesão quando o marido colocava armas na cama. Louco, né? Mas é a vida. Paciência. E não é uma "retratação pública de um apresentador" que vai mudar o tesão dessas pessoas.

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Acredito que todas essas iniciativas são eivadas de boas intenções. No entanto, de boas intenções o inferno está cheio. Se a gente perder o bom senso das nossas reivindicações e encrencar com absolutamente TUDO, desde o mais comezinho, nossas lutas perderão credibilidade na cabeça do homem comum e as pessoas vão ligar um grande foda-se para o que falamos e para o que propomos. E pior: se radicalizarmos de um lado, o outro lado também se radicalizará. Haja vista que Trump ganhou nos EUA e por aqui os apoiadores de Bolsonaro pululam.

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Eu entendo que a vida de certas minorias pode ser muito sofrida. No entanto, qualquer tipo de atitude madura perante a vida, implica também no lidar com o sofrimento e com as nossas questões internamente. Essa postura de querer mudar à força o mundo e que as pessoas mudem o tempo todo ou se retratem publicamente pode até ter alguma razão de ser. Mas se isso não for exercido com muita sabedoria, nossas reivindicações serão motivos de galhofa. E mais do que isso. Construiremos uma reação talvez ainda mais violenta do que uma simples embalagem de absorvente.

Curiosamente, a expressão surgiu não no Ocidente, mas no seio da União Soviética, onde todo mundo só podia falar o que fosse politicamente correto para Moscou. Inclusive, havia até uma expressão: Se você não pudesse contar isso para Stalin, era melhor não contar. Só essa frase expressa bem o espírito autoritário onde nasceu o politicamente correto.

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Assim, não sou contra este movimento de desconstrução. Mas, tudo tem um bom senso.

De qualquer forma, respeito as muito prováveis opiniões discordantes.

E vocês, o que pensam sobre isso?

Amor e Paz

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