domingo, 4 de dezembro de 2016

A ideia de panteão, forças cósmicas e os LGBTs

O entendimento que o ensinamento rosacruz possui do politeísmo é bem diferente do que normalmente se entende. Enquanto que para a maioria das pessoas o politeísmo seria um pensamento demarcado pela existência de vários deuses, segundo o rosacrucianismo, as religiões politeístas contavam com um círculo de Iniciados internos que não acreditavam nisso, mas sim num monoteísmo e os vários deuses representavam apenas forças cósmicas cuja fonte seria um deus único ou uma força central. 

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Assim, segundo essa ideia rosacruz, os egípcios acreditavam que havia uma única força no mundo com diferentes netheru, ou seja atributos, o mesmo acontecendo com os gregos. Cada deus grego - o do mar, do amor, da beleza, da inteligência etc eram diferentes atributos de uma única Força Divina. É uma visão muito próxima da do Candomblé, que muitos pensam se tratar de uma religião politeísta, mas que na verdade não o é. Os orixás são forças diferentes de um mesmo princípio.

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Particularmente, acho muito forçado esse pensamento rosacruz de que havia um círculo de Iniciados no seio das religiões politeístas que acreditavam num monoteísmo que se subdividia em diversas forças. Isso porque ele desconsidera toda a trajetória histórica na qual as religiões monoteístas venceram as religiões politeístas. Se as religiões politeístas acreditavam num "deus único", porque então essa crença ficava restrita a um "Círculo de Iniciados"? Acho um pouco forçada essa perspectiva. 

O politeísmo perdeu o debate religioso para as religiões monoteístas. Qualquer um que estude a fundo essas religiões, verá que elas são confusas, seus mitos ambíguos, seus deuses inventados aqui e acolá, muito embora tenham um inegável mérito cultural e religioso.

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De qualquer forma, vamos nos ater exclusivamente a essa noção de que os diferentes deuses do mundo antigo representam forças cósmicas. Supondo realmente que os sábios do politeísmo tenham observado fenômenos naturais, traduzido-os em forças cósmicas e divinas e materializado-os em forma de deuses. O que isso tem a ver com os LGBTs?

Bem, o fato é que muitos deuses do mundo antigo eram sexualmente ambíguos. Zeus, o maior dos deuses gregos, era bissexual. Alguns deuses hindus mudam de sexo. Outros são afeminados. E outros, também, são deuses masculinos ou femininos. Entre os orixás, Olodumaré é seis meses homem e seis meses mulher.

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É impossível não supor que uma pessoa vivendo sob um sistema de pensamento no qual seus deuses são homo ou bissexuais, mudam de sexo ou tem uma relação especial com a androgenia, que ela não lidaria melhor com as pessoas das minorias sexuais. Nesse sentido, o sistema mitológico no qual estamos inseridos, afeta de forma crucial nossa relação com o mundo exterior e seus fenômenos e, por conseguinte, o tratamento que as pessoas dão aos LGBTs.

De qualquer forma, podemos nos perguntar: se na natureza existem os princípios masculinos e femininos, que forças cósmicas estariam associadas às minorias sexuais? No caso do universo trans, é fácil: as forças da mutabilidade, do movimento e da transformação. E no caso de gays e lésbicas? A meu ver, as forças da gradação, da união interna dos masculino e do feminino, das polaridades etc. 

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Quer você acredite que os deuses antigos representavam forças da natureza ou não, vale uma reflexão profunda sobre o assunto. O que vocês têm a dizer sobre isso? Que forças naturais estariam associadas à existência LGBT? Como você enxergaria deuses pertencentes às minorias sexuais dentro de um panteão?

Amor e Paz

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