sábado, 3 de dezembro de 2016

Quando os portões do inferno se abrem

Em toda a literatura mitológica, fábulas, histórias fantásticas ou até mesmo em narrativas de RPG, há figuras que não encontram um paralelo na realidade, mas são profundas metáforas da condição humana e da consciência humana. Embora pessoalmente eu não creia na existência de um demônio ou de um inferno, a figura dos "portões do inferno" merecem alguma consideração.

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Toda sociedade parece ser nada mais do que uma composição de forças antagônicas que lutam entre si a todo tempo sobre os destinos do grupo humano que habita determinado território. Os nomes de "direita" e "esquerda" parecem ilustrar bem estes diferentes vetores que compõem as forças sociais.

Cada uma dessas forças sociais parece constituir uma vibração particular. Algumas possuem uma natureza extremamente construtiva já outras, parecem ter uma natureza particularmente destrutiva. A meu ver, parece ser o conjunto de forças antagônicas, que de tempos em tempos se alternam no poder, que impedem que as vibrações mais extremas assumam o poder.

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Há de se considerar, no entanto, que de tempos em tempos, certas vibrações muito particulares parecem assumir o poder da sociedade em que estão e transformam as coisas de sobremaneira. Estas forças, que existem em toda sociedade de forma latente, apenas esperam a situação ideal para se manifestarem.

Ninguém sabe explica até hoje como os nazistas assumiram o poder na Alemanha, um país tão culto e educado. Por mais explicações históricas e sociológicas que se dêem, o fato é que a coisa é muito mais complexa. Resta ainda responder como os cultos alemães se deixaram levar por extermínio em massa, destruição de livros, assassinato de opositores e um militarismo excessivo que deixou um inimaginável rastro de destruição para trás.

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Atualmente no Oriente Médio, o Estado Islâmico exerce este papel de monstruosidade que os nazistas exerceram.

O fato é que poderíamos acusar o radicalismo islâmico, o racismo europeu, o cristianismo, a burguesia, o imperialismo ou qualquer outro conceito abstrato pela responsabilidade dessas barbáries. Mas, ainda que eu concorde com essa perspectiva, a meu ver, essa barbárie que de vez em quando vem à tona, independe da ideia abstrata a ela associada. Essas forças existe no seio de toda sociedade e há de se ter o devido cuidado para que elas não venham à tona.

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Por mais que estas forças do barbarismo se revistam com a ideia de ordem, não nos iludamos. Elas representam o kaos, no sentido grego do termo. É quando essas forças tomam o poder, que as verdadeiras portas do inferno se abrem. Nesses momentos de ruptura, os instintos mais primitivos parecem tomar conta de boa parte das pessoas e a governar o país, a tribo ou a região.

Na realidade todos temos essa monstruosidade dentro de nós - essa vontade louca de sair matando e fazendo besteira sem nenhum tipo de revés social. A educação que recebemos, as leis, os costumes e a correlação de forças sociais, no entanto, nos ajudam a repelir esses instintos mais primitivos e nos dão um caminho de "subida" da consciência. O ser-humano torna-se, assim, civilizado; e isso necessariamente implica na repressão de certos instintos primitivos. Freud já percebera isso há mais de um século.

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O que quero dizer é que, embora o Brasil esteja muito longe de abrir seus portões do inferno, há de se ficar sempre atento com essas forças do barbarismo que almejam romper com toda a ordem social. Se o poder é ruim, o vácuo de poder é muito pior, como demonstra o Estado Islâmico no Iraque, onde milícias tribais de seres-humanos próximos da animalidade querem impor ordem e terror. Nesse ínterim, os LGBTs sempre são as primeiras vítimas.

E vocês, o que têm a dizer sobre isso?

Amor e Paz

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